O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Vagner Freitas, disse, nesta quinta-feira (7), que não aceita a reforma da Previdência como a que quer o governo. Para ele, a Previdência ideal é a “pública, social, para todos, e não uma poupança para alimentar os banqueiros”.

Freitas disse que a entidade vai realizar uma assembleia nacional, no próximo dia 20 de fevereiro, para construir alternativas à proposta de reforma da Previdência do governo federal. As informações são da Agência Brasil.

Segundo Freitas, a CUT também vai atuar no Congresso visando mudar o texto a ser encaminhado para análise dos deputados e senadores (na foto, Freitas e o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Wagner Firmino de Santana (à esquerda).

Ele esteve reunido, na manhã desta quinta-feira, com o vice-presidente, Hamilton Mourão, em Brasília, para apresentar as preocupações da classe, especialmente em relação ao modelo de capitalização, que está sendo estudado pelo governo.

“Esse é um desenho que conhecemos, favorece o capital financeiro nacional e internacional, tira direitos de trabalhadores, não garante a aposentadoria e, mais que isso, impede que você tenha benefícios e assistência social”, disse Freitas sobre o modelo de capitalização.

“Defendemos uma Previdência pública, social, para todos, e não uma poupança para alimentar os banqueiros”, acrescentou.

O modelo de capitalização da Previdência é uma espécie de poupança, em que o próprio trabalhador financia sua aposentadoria no futuro.

No atual modelo, as contribuições dos trabalhadores ativos financiam as aposentadorias.

 

Novo projeto

Mais cedo, hoje, após reunião com investidores norte-americanos, em Brasília, o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que o governo não deve utilizar o texto da reforma da Previdência que tramita na Câmara dos Deputados, apresentado ainda no governo de Michel Temer.

A nova proposta, mais complexa, inclui não apenas a reforma do atual sistema, mas a implantação do novo sistema de capitalização.

Com a apresentação de um novo projeto, a reforma deve levar mais tempo para ser aprovada, previsto em cerca de quatro meses.

O ministro também defendeu uma nova modalidade de contratação trabalhista, por meio da chamada carteira de trabalho verde e amarela, que seria a porta de entrada para o regime de capitalização previdenciária.

Para o presidente da CUT, essa modalidade precariza as contratações trabalhistas. “Uma coisa é emprego, outra coisa é bico, não vamos confundir as coisas”, disse.

 

Geração de empregos

A geração de empregos também foi tema da reunião com o vice-presidente, Hamilton Mourão.

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Wagner Santana, disse que a política industrial brasileira precisa ser fortalecida e gerar competitividade, para que as empresas garantam empregos de qualidade.

“Temos que ter uma indústria que transforma, novas tecnologias, e para isso, precisa de incentivos, precisa de um BNDES fortalecido, precisa de um sistema de qualificação dos trabalhadores”, destacou.

 

Foto: Marcelo Camargo/ABr