Bolsonarismo enfrenta dilema na escolha de vice e direita patina

A sucessão presidencial de 2026 expõe disputas entre aliados e pressões do bolsonarismo sobre a escolha do vice.

Publicado em: 11/10/2025 às 10:45 | Atualizado em: 11/10/2025 às 10:45

A definição da chapa da direita para 2026 reacende um velho impasse: a escolha do vice-presidente. Desde as eleições de 2018, quando Jair Bolsonaro substituiu o príncipe Luiz Philippe de Orleans e Bragança pelo general Hamilton Mourão após rumores de um escândalo inexistente, o cargo virou uma peça delicada no tabuleiro político. Em 2022, o então presidente repetiu a fórmula militar, escolhendo Walter Braga Netto, mas a chapa perdeu por 2 milhões de votos — e muitos aliados atribuem à escolha parte da derrota.

Agora, com Bolsonaro inelegível e preso, o desafio se repete, desta vez com mais incertezas e rivalidades. A direita busca um nome capaz de unir a oposição e garantir competitividade nas urnas. Cinco governadores despontam como potenciais presidenciáveis, e há uma corrida paralela para ocupar a vice.

Rivalidade e ambição no centrão

O presidente do PP, Ciro Nogueira, inflamou o debate ao declarar que apenas Tarcísio de Freitas (São Paulo) e Ratinho Júnior (Paraná) seriam candidaturas viáveis.

A provocação irritou Ronaldo Caiado (Goiás), que se disse excluído e acusou o senador de agir com “ansiedade vergonhosa” ao se colocar como vice.

Nos bastidores, Nogueira tenta consolidar apoio, enquanto Tereza Cristina (PP-MS), ex-ministra da Agricultura, surge como alternativa forte — e uma possível chapa “Tarcísio-Tereza” é vista por analistas como imbatível.

Disputa familiar

Bolsonaro, contudo, mantém o controle da escolha. Ele quer um vice de confiança, que garanta apoio a um eventual pedido de indulto e preserve o legado do bolsonarismo.

Por isso, os nomes mais cotados são os de Flávio Bolsonaro e Michelle Bolsonaro, que se destacaram recentemente em atos pela anistia dos condenados do 8 de Janeiro.

Um xadrez político em aberto

Enquanto a oposição disputa espaços e cargos, o presidente Lula avança com popularidade em alta e com menor dependência das legendas do centrão.

O embate entre União Brasil e PP, que tentam formar uma federação de oposição, revela o desafio da direita: conciliar interesses diversos e definir uma chapa que una estratégia política, carisma e sobrevivência eleitoral.

Foto: divulgação