Eleições no Peru: Divivido, país vai às urnas escolher novo presidente
Keiko Fujimori e Roberto Sánchez disputam o segundo turno neste domingo (7)
Da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 07/06/2026 às 17:23 | Atualizado em: 07/06/2026 às 17:23
Neste domingo (7), os cerca de 34 milhões de habitantes do país sul-americano irão às urnas para eleger o próximo presidente, que governará a nação no período de 2026 a 2031.
A disputa em segundo turno coloca em lados opostos a candidata de direita Keiko Fujimori e o esquerdista Roberto Sánchez Palomino. Como informa a Agência Brasil.
O pleito ocorre sob a sombra de um primeiro turno tumultuado e pulverizado, que contou com a participação de 35 candidatos. Na ocasião, a apuração se arrastou por mais de um mês, terminando com Keiko Fujimori na liderança com 17,1% dos votos válidos, seguida por Sánchez, que obteve 12,0%.
Um histórico de instabilidade
O vencedor do pleito terá o desafio hercúleo de pacificar um país que enfrenta uma longa e severa crise política e econômica. Marcado por sucessivas destituições de mandatários pelo parlamento, o Peru se prepara para empossar aquele que será o nono presidente em um intervalo de apenas 10 anos.
Apesar de Keiko ter liderado a primeira etapa da votação, analistas políticos apontam para um cenário de extrema incerteza. O histórico joga contra a candidata: ela amargou derrotas no segundo turno nas últimas três eleições presidenciais (2011, 2016 e 2021).
Os dois caminhos para o Peru
Abaixo, veja o perfil e as principais propostas que dividem os dois lados da disputa:
Keiko Fujimori (Força Popular)
Filha do ex-ditador Alberto Fujimori (1990-2000), Keiko vive a constante dualidade de seu sobrenome. Ao mesmo tempo em que herda a base eleitoral fiel do pai, ela carrega o peso da rejeição ao antigo regime — Alberto Fujimori foi condenado por graves violações de direitos humanos, incluindo a esterilização forçada de mulheres indígenas.
- Geopolítica: Durante a campanha, Keiko pregou uma aproximação estreita com os Estados Unidos de Donald Trump.
- Impacto econômico: Essa guinada a Washington pode gerar atritos com os massivos investimentos chineses no Peru, que tem como joia da coroa o Porto de Chancay, principal hub de escoamento da produção sul-americana para a Ásia.
Roberto Sánchez Palomino (Juntos pelo Peru)
Do outro lado do espectro político, o psicólogo de formação e atual deputado baseia sua campanha no resgate da ala mais à esquerda do eleitorado, colocando-se como um aliado de primeira hora do ex-presidente Pedro Castillo, de quem foi ministro.
Castillo foi eleito em 2021 justamente contra Keiko Fujimori, mas acabou destituído, preso e condenado após tentar dar um golpe de Estado ao dissolver o Parlamento. Para os apoiadores de Sánchez, Castillo foi, na verdade, vítima de um Congresso implacável por representar o voto da população rural e indígena.
- Reforma Constitucional: A principal bandeira de Sánchez é a convocação de uma Assembleia Constituinte para enterrar a atual Carta Magna do país, herdada do período fujimorista.
- Social: O candidato foca seu discurso em reformas sociais profundas e na ampliação de direitos para as minorias e classes menos favorecidas.
O resultado deste domingo definirá não apenas os rumos econômicos e as alianças internacionais do Peru pelos próximos cinco anos, mas também testará a resiliência de uma democracia que busca, desesperadamente, o caminho da estabilidade.
Leia mais em Agência Brasil.
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Foto: reprodução/YouTube
