Filmagem do depoimento de Lula é alterada

Publicado em: 08/05/2017 às 13:30 | Atualizado em: 08/05/2017 às 13:31

A defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não terá domínio das filmagens da audiência na qual o petista será interrogado, nesta quarta-feira, 10, no Fórum da Justiça Federal em Curitiba. A decisão é do juiz Sérgio Moro, que presidente os processos da operação Lava Jato. Moro negou, nesta segunda-feira, 8, o pedido da defesa de Lula para fazer uma gravação própria do interrogatório. Contudo, informou que será feita uma gravação adicional com um ângulo mais amplo da sala de audiência.

No despacho, o juiz federal afirmou que “não há qualquer intenção de prejudicar o acusado ou sugerir a sua culpa com esse foco, tanto assim que o depoimento das testemunhas, que não sofrem qualquer acusação, é registrado da mesma forma. ”

Sérgio Moro ainda relatou que este procedimento – de gravar os depoimentos com o foco no depoente – é adotado por toda a Justiça Federal da 4ª Região.

“Não assiste razão à Defesa de Luiz Inácio Lula da Silva em afirmar que a forma de gravação dos depoimentos em audiência resulte em prejuízo aos acusados”, disse o juiz na decisão.

 

Defesa

Para o juiz federal, Lula e os advogados “pretendem transformar um ato normal do processo, o interrogatório, oportunidade que o acusado tem para se defender, em um evento político-partidário, tendo, por exemplo, convocado militantes partidários para manifestações de apoio ao ex-presidente na referida data e nessa cidade [Curitiba], como se algo além do interrogatório fosse acontecer”, pontuou Sérgio Moro.

Os advogados do ex-presidente pediram ao juiz Sérgio Moro, na quarta-feira (3), mudanças na forma como são feitos os vídeos das audiências. Eles queriam que a câmera registrasse quem está falando e não ficasse parada no interrogado. Eles ainda comunicaram que desejavam fazer uma gravação própria, com som e imagem.

 

Processos

No processo em que será interrogado na quarta-feira, o ex-presidente é acusado de receber R$ 3,7 milhões de propina em três contratos da OAS com a Petrobras. Ele nega as acusações.

A propina, de acordo com o Ministério Público Federal (MPF), se deu por meio da reserva e reforma de um apartamento triplex em Guarujá, no litoral de São Paulo, e do custeio do armazenamento de bens do ex-presidente.

Em outra ação penal oriunda da Lava Jato, que também corre na Justiça Federal do Paraná, Lula é acusado pelo MPF de receber como propina um terreno onde seria construída a nova sede do Instituto Lula e um imóvel vizinho ao apartamento do petista, em São Bernardo do Campo (SP).

 

Fonte: G1

 

 

Foto: Daniel Castellano/Gazeta do Povo