Hapvida cobra R$ 11 milhões de Daniel Vorcaro na Justiça
Operadora pede citação do banqueiro preso e cobra valores ligados à compra da Promed, fechada em 2021.
Publicado em: 03/04/2026 às 14:22 | Atualizado em: 03/04/2026 às 14:35
A Hapvida acionou a Justiça de Minas Gerais para cobrar R$ 11 milhões do banqueiro Daniel Vorcaro, preso em Brasília, por pendências na venda da rede Promed.
Na ação, os advogados pedem a citação do empresário na Superintendência da Polícia Federal (PF), onde ele está detido.
O processo também inclui Henrique Vorcaro, pai, e Natália Vorcaro, irmã do banqueiro. Ambos foram alvos da Operação Compliance Zero e tiveram bens bloqueados.
A disputa envolve a compra da Promed, realizada em maio de 2021, por cerca de R$ 1 bilhão, além de aproximadamente R$ 500 milhões em dívidas assumidas.
A maior parte do valor ficou com a família Vorcaro, mas apenas R$ 65 milhões foram pagos em dinheiro. O restante ocorreu por meio de ações da Hapvida.
Daniel Vorcaro recebeu cerca de 13 milhões de ações da Hapvida Participações e Investimentos S.A., negociadas na B3 (Brasil, Bolsa, Balcão).
O contrato previa revisões periódicas de valores. Até maio de 2023, os ajustes indicaram dívida de R$ 83 milhões por parte da família, já quitada.
Depois disso, novos cálculos passaram a favorecer a Hapvida. Segundo a empresa, surgiram cobranças superiores a R$ 22 milhões.
Parte do valor foi abatida em fevereiro, mas a operadora afirma que ainda restam cerca de R$ 12 milhões a receber.
A empresa atribui a dívida a perdas em processos judiciais e ao pagamento de honorários advocatícios. Também cobra juros pelo Certificado de Depósito Interbancário (CDI), correção e multa.
Crise exposta no mercado
Enquanto disputa a cobrança, a Hapvida enfrenta pressão de investidores. A Squadra Participações, que possui 5,5% das ações, publicou carta criticando a gestão.
No documento, a gestora questiona decisões em fusões e aquisições que teriam reduzido o valor econômico da companhia.
Desde o IPO, oferta pública inicial de ações, realizado há oito anos, os papéis acumulam queda de 85%.
No mesmo período, o Ibovespa avançou cerca de 120%, ampliando a diferença de desempenho.
A Squadra também aponta deterioração operacional, aumento da alavancagem financeira e falta de clareza da administração sobre os negócios.
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