Meio ambiente do Brasil tem resquício de testes nucleares dos anos 50 e 60

Pesquisadores encontraram traços de Césio-137 em leito de rio, resultado de explosões atômicas realizadas há mais de 60 anos

Publicado em: 27/10/2025 às 12:53 | Atualizado em: 27/10/2025 às 13:15

Um estudo da Universidade de São Paulo (USP) identificou a presença de Césio-137 nos sedimentos do Rio Ribeira de Iguape, no interior de São Paulo — vestígios deixados por testes nucleares realizados no início da década de 1960, durante a Guerra Fria.

A pesquisa, desenvolvida pelo geógrafo Breno Rodrigues em seu mestrado na área de Geografia Física, analisou ambientes pouco alterados pela ação humana e concluiu que a radioatividade detectada tem origem no fallout atmosférico — a chuva radioativa resultante das explosões nucleares conduzidas principalmente por Estados Unidos, União Soviética, Reino Unido e França entre 1953 e 1962.

O Césio-137, um dos principais subprodutos da fissão nuclear, possui meia-vida de cerca de 30 anos e permanece detectável mesmo após seis décadas. Segundo o estudo, as concentrações encontradas são muito baixas e não representam risco à saúde, mas servem como marcadores ambientais do chamado Antropoceno — o período geológico caracterizado pela influência humana sobre o planeta.

A equipe, coordenada pela professora Cleide Rodrigues, destacou que o Rio Ribeira foi escolhido por ser um ambiente natural pouco impactado por atividades urbanas ou industriais. A análise mostrou que os traços de Césio estão distribuídos de forma descontínua, influenciados pela dinâmica natural do rio e pelos processos de sedimentação.

Rodrigues afirma que os resultados ajudam a compreender como fenômenos globais, como a precipitação radioativa dos anos 1960, interagem com os sistemas fluviais brasileiros.

A pesquisa segue em andamento no doutorado do autor, e sua dissertação deverá ser publicada ainda neste semestre.

Com informações de Agência Brasil

Foto: Breno Rodrigues/divulgação