Moraes revoga autorização para visita de assessor de Trump a Bolsonaro preso

Decisão ocorre após alerta do Itamaraty sobre possível ingerência diplomática em ano eleitoral

Moraes revoga autorização para visita de assessor de Trump a Bolsonaro preso

Da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 13/03/2026 às 06:27 | Atualizado em: 13/03/2026 às 06:27

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), revogou a autorização que havia concedido para a visita de Darren Beattie, assessor do presidente dos Estados Unidos Donald Trump, ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), atualmente preso na unidade conhecida como Papudinha, em Brasília.

A decisão representa uma mudança de posição do magistrado. Na terça-feira, Moraes havia autorizado que o encontro ocorresse no próximo dia 18 de março, permitindo inclusive que Beattie fosse acompanhado de um intérprete. Como informa o Uol.

O assessor foi nomeado por Trump para supervisionar assuntos relacionados ao Brasil dentro do governo norte-americano.

A defesa de Bolsonaro havia solicitado que a visita fosse antecipada para os dias 16 ou 17 de março. Segundo os advogados do ex-presidente, a alteração seria necessária porque a agenda oficial de Beattie impediria que ele comparecesse nas datas regulares de visitas na Papudinha, que ocorrem às quartas-feiras e aos sábados.

Apesar da justificativa de que o assessor estaria em missão diplomática no Brasil, não havia registros iniciais de pedidos formais de reuniões com o governo brasileiro. De acordo com informações publicadas pela Folha de S.Paulo, a única agenda confirmada por Beattie até então era justamente a visita ao ex-presidente.

O Ministério das Relações Exteriores informou ao STF que o assessor norte-americano solicitou agenda diplomática ao Itamaraty apenas depois que a defesa de Bolsonaro formalizou o pedido de visita. A informação foi antecipada pela colunista Mariana Sanches.

Em documento enviado ao Supremo, o Itamaraty confirmou que a viagem de Beattie havia sido comunicada por canais oficiais, mas não incluía reuniões previstas com o ministério. O assessor afirmou que estaria em Brasília na segunda e terça-feira da próxima semana e, posteriormente, seguiria para São Paulo.

Entretanto, um dia após o pedido de visita protocolado pelos advogados de Bolsonaro, a embaixada dos Estados Unidos no Brasil encaminhou solicitações de encontros adicionais ao Itamaraty.

No parecer enviado ao STF, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, alertou que uma eventual visita de um representante do governo norte-americano a um ex-presidente preso poderia ser interpretada como ingerência indevida, especialmente em ano eleitoral.

Segundo ele, nenhuma das agendas solicitadas pela representação diplomática dos Estados Unidos foi confirmada até o momento.

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Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil