Relação Brasil–EUA entra em nova fase, diz cônsul Kevin Murakami

Representante do governo Trump afirma que relação bilateral vive nova fase após período de tensões e convoca empresas brasileiras a ampliar investimentos nos Estados Unidos.

Relação Brasil–EUA entra em nova fase, diz cônsul Kevin Murakami

Da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 25/11/2025 às 15:24 | Atualizado em: 25/11/2025 às 15:24

O cônsul-geral dos Estados Unidos em São Paulo, Kevin Murakami, afirmou nesta terça-feira (25) que o governo Donald Trump pretende “inaugurar uma era de ouro entre os EUA e o Brasil”.

Conforme ele, as negociações comerciais entre os dois países voltaram a avançar após meses de turbulência diplomática.

Assim, as declarações foram feitas durante um evento promovido pela Amcham Brasil (Câmara Americana de Comércio para o Brasil), na capital paulista.

Murakami, que assumiu o posto há pouco mais de dois meses, lembrou que, nesse período, as relações entre Washington e Brasília passaram por um momento crítico, mas agora seguem “em uma direção positiva”.

Segundo ele, ainda há desafios a superar, mas o encontro recente entre Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva demonstra disposição mútua para reconstruir pontes.

“Sou otimista sobre o potencial da relação entre os Estados Unidos e o Brasil. Estou aqui com uma tarefa primordial: apoiar o objetivo do governo Trump de inaugurar uma era de ouro entre nossos países. Muitas coisas ainda precisam acontecer, mas a relação bilateral de mais de 200 anos e nossos valores compartilhados nos fornecem uma base bem sólida”, disse o cônsul, falando em português.

Chamado ao investimento brasileiro nos EUA

Durante sua intervenção, Murakami fez um apelo direto às empresas brasileiras para que ampliem investimentos em território americano.

Para ele, historicamente, Brasil e Estados Unidos não conseguiram maximizar o potencial econômico conjunto — algo que, em sua avaliação, pode estar prestes a mudar. “Talvez desta vez seja diferente”, afirmou.

O cônsul destacou que o ambiente para negócios pode se tornar ainda mais relevante em 2026, ano eleitoral no Brasil, e ressaltou que a Amcham terá papel estratégico no debate público.

Segundo ele, a entidade pode contribuir para a construção de um clima mais favorável ao investimento estrangeiro, especialmente em setores considerados prioritários pelos EUA.

“Isso inclui a redução do custo Brasil e a criação de um ambiente regulatório mais atraente para a participação americana no setor de minerais críticos e na cadeia de suprimento de energia”, disse.

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Murakami reconheceu que persistem divergências entre os dois governos, mas avaliou que o reatamento do diálogo direto entre Trump e Lula representa um avanço significativo.

Ele citou ainda gestos recentes de Washington, como a oferta de alívio tarifário em determinadas áreas, como sinais concretos de boa vontade.

O diplomata afirmou que tanto empresas quanto autoridades devem se sentir “encorajadas” pela atual fase da relação bilateral. “As negociações estão começando, os presidentes se reuniram, e já há movimentos reais na agenda comercial”, declarou.

Apesar do tom otimista, Murakami ponderou que o caminho rumo à chamada “era de ouro” depende de novos acordos, reformas e da capacidade de ambos os países de consolidar confiança mútua — um processo que, segundo ele, está apenas no início.

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Foto: Ricardo Stuckert / PR