Por Iram Alfaia, de Brasília

 

Em entrevista ao Estado de S.Paulo nesta terça-feira, dia 13, a senadora Kátia Abreu (PDT-TO) diz que a política do presidente Jair Bolsonaro para o meio ambiente pode fechar o acesso de produtos brasileiros no exterior e causar prejuízos ao agronegócio.

As últimas falas de Bolsonaro sobre mineração em terras indígenas, confronto com a Noruega e Alemanha, principais doadores do Fundo Amazônia, e o deboche ao afirmar que “questão ambiental só importa aos veganos que comem só vegetais” têm provocado alvoroço no país e no exterior.

Kátia Abreu diz que tem muito medo do Brasil perder mercado, sobretudo por causa do que pode ser feito por grupos poderosos na Europa contra o país.

“Imaginem os comerciais que essas associações poderosas da Europa podem fazer contra nós lá, na TV e internet? E farão: ‘O Brasil aumenta o desmatamento e acaba com a Amazônia’.

Segundo ela, o país está enfrentando um acordo delicado entre a União Europeia e Mercosul. “Os agricultores na Europa são fortíssimos e altamente subsidiados, não conseguem competir conosco sem isso. Então, qualquer coisa vai ser desculpa para atrasar a implementação desse acordo por três, quatro, cinco anos. É do que precisam para arrumarem barreiras técnicas aos nossos produtos”, disse

“O Bolsonaro está se comportando como antimercado. Hoje, as empresas mais valorizadas na bolsa têm um componente fortíssimo tecnológico e de sustentabilidade. Todo mundo já incorporou isso como necessidade, e não como uma coisa de politicamente correto. Quem é que não está vendo, mais do que nós, agricultores, que as chuvas mudaram, a temperatura mudou, rios que não secavam antes, que eram perenes, e hoje secam? Quem nega isso está fora da realidade. O presidente precisa entender que meio ambiente e agronegócio não são uma questão gastrointestinal”, criticou.

Na sua avaliação os produtores estão enganados. “Os produtores estão alegres hoje e poderão chorar amanhã. Temos o agro que produz na roça, que apoia o Bolsonaro. Mas o agro tem outras cadeias: a produção de insumos, o processamento e industrialização e os transportadores. Esses três últimos estão desesperados, porque quem vai bater na porta com a cara e a coragem para vender são eles”.

Autocrítica

“Abri meus olhos e aprendi o quanto a Amazônia era importante para garantir as chuvas no sul e centro do Brasil. Aprendi sobre a importância de se manter as nascentes dos rios”, disse a senadora que já foi apelidada por opositores de “Miss Desmatamento” e “Rainha da Motosserra”.

Ex-ministra da Agricultura, ela explicou que se livrou do discurso radical feito para os seus. “Tenho muito orgulho de ter evoluído. Meu pensamento estava dentro de uma caixinha: ‘Isso é ambientalista que quer destruir a agricultura brasileira, que já destruiu suas matas’. Aquela coisa decorada. E não tem nada a ver”, afirmou ao jornal paulista.

 

Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado