Ao menos duas lideranças sindicais saíram em defesa da manutenção do Ministério do Trabalho cuja transformação em secretaria está em discussão no futuro governo a assumir em 1º e janeiro de 2019. Essas lideranças criticam o fim da pasta e dizem ser “nefasta” para as relações empresas-trabalhadores.

A equipe de transição do presidente eleito Jair Bolsonaro avalia extinguir o Ministério do Trabalho, existente desde 1930.

Neste ano, o Ministério do Trabalho foi alvo de investigação e prisões de funcionários que recebiam propinas para acelerar registro de sindicatos.

De acordo com reportagem da Folha de S.Paulo, há alternativas sendo estudadas para que a condução dos temas ligados a emprego e renda ocorra de forma mais eficiente do que concentrada em uma única pasta, como associar a área a algum órgão ligado à Presidência da República.

Entre outras alternativas, está em discussão fatiar as diferentes áreas e transferir a gestão de alguns assuntos, além da criação de novos modelos para a condução de questões sindicais e de fiscalização.

Na segunda-feira, 5, a equipe do presidente eleito recebeu uma proposta de empresários para agregar ao Ministério da Indústria (Mdic) o Ministério do Trabalho.

Integrantes do atual governo são contrários à possibilidade de perda do status de ministério.

Em nota divulgada na manhã desta terça-feira, 6, o Ministério do Trabalho declarou que foi “criado com o espírito revolucionário de harmonizar as relações entre capital e trabalho em favor do progresso do Brasil” e “se mantém desde sempre como a casa materna dos maiores anseios da classe trabalhadora e do empresariado moderno, que, unidos, buscam o melhor para todos os brasileiros”.

A possível mudança no ministério também recebeu críticas de sindicatos.

A Força Sindical disse, em comunicado, que a proposta de acabar com o Ministério do Trabalho é nefasta.

“Queremos o Ministério do Trabalho como um bom instrumento que possa alavancar ações relevantes para o mundo do trabalho com medidas progressistas que melhorem as relações entre governo, empresariado e trabalhadores, e dar um novo alento ao setor produtivo nacional”, afirmam Miguel Torres e João Carlos Gonçalves, líderes sindicais (na foto, ao fundo).

 

Foto: CNTM/Divulgação