As vozes daqui

Publicado em: 04/10/2011 às 00:00 | Atualizado em: 04/10/2011 às 00:00

Ivânia Vieira*

Há uma semana, a presidenta Dilma Rousseff‘ concretizava, na 66ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas mais um feito histórico. Tornava-se, 66 anos depois da criação da ONU, a primeira mulher a fazer a abertura oficial dessa Assembleia. E o fez em estilo maiúsculo. Tratou das questões cruciais para a humanidade, chamou à responsabilidade os países ricos, convocou os presentes a uma nova conduta na forma de cuidar do mundo.

Dilma recebeu, da masculina plenária da ONU, os aplausos mais intensos e a aprovação da crítica especializada em análise das falas das autoridades mundiais. Passou, com louvor, em um dos seus testes mais delicados.

Hoje, em Manaus, mesmo numa viagem rápida, a presidenta pode temperar o Brasil com porção amazônica. Há muito essa região luta, mesmo inviezadamente, para ter lugar efetivo no plano de desenvolvimento do País. Condição negada pela República que a trata como um problema, um óbice ao progresso.

É preciso desconstruir essa mentalidade administrativa para, enfim, o Brasil se completar na sua multifeição. Em seu singular discurso, Dilma disse ao mundo, a partir da tribuna da ONU que sua voz, ali, era “a voz da democracia e da igualdade se ampliando”. Informou, como numa espécie de promessa, que “este é o século das mulheres” e, beliscou a poesia para reduzir a aridez do lugar situando, no nosso português, as palavras “vida”, “alma”, “esperança”, “coragem” e “sinceridade”.

As mulheres da Amazônia, parcela expressiva dessas “mulheres anônimas; que passam fome e não podem dar de comer a seus filhos; que padecem de doenças e não podem ser tratadas; que sofrem violência e são discriminadas” contam com essa mesma determinação para revigorar a esperança.

Suas vozes, nos lugares mais invisíveis dessa região, entoam o canto da resistência que atravessa os rios e insiste na ousadia de ser ouvido para transformar aquilo que, na Amazônia, é abandono, é omissão e é opressão.

* Jornalista, professora do Curso de Comunicação Social da Ufam. 

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