Flifloresta homanageia Maroaga

Publicado em: 20/11/2008 às 00:00 | Atualizado em: 20/11/2008 às 00:00

Escritores e demais participantes do Festival Literário Internacional da Floresta (Fliforesta), que se realiza em Manaus, fizeram um minuto de silêncio em respeito à memória dos índios waimiri-atroari massacrados durante a invasão das suas terras, na década de 1970. As duas etnias saíram recentemente da lista de povos ameaçados de extinção.

O ato (19/11/2008) ocorre na Cachoeira da Onça, no município de Presidente Figueiredo, durante a leitura e assinatura da Carta da Floresta, documento que reafirma compromissos em defesa da Amazônia e das suas populações. A carta foi elaborada no Simpósio de Cultura e Natureza na Amazônia, uma das atividades do Flifloresta.
Manoel Moura, da etnia tucano, em nome dos escritores indígenas, homenageou Maroaga, cacique legendário dos waimiri-atroari que resistiu até a morte contra a invasão das suas terras. Moura disse que essa cachoeira era um dos lugares sagrados dos povos de Maroaga. Os sobreviventes das duas etnias, que tiveram suas terras reduzidas pela BR-174 (Manaus-Boa Vista), Hidrelétrica de Balbina e Mina do Pitinga, vivem, atualmente, em área demarcada pelo Governo Federal.

“Já começamos errado ao entrar aqui sem pedir licença ao espírito de Maroaga”, alertou Manoel Moura. Ele mencionou, também, os espíritos dos brancos (missionários, funcionários da Funai e operários) que morreram no conflito. “Esse é um momento de reflexão sobre a história recente”, explicou o escritor Tenório Telles, um dos gestores do Flifloresta.

A Cachoeira da Onça e demais patrimônios naturais do município de Presidente Figueiredo fazem parte de um projeto ecológico desenvolvido pelo Poder Público e pela iniciativa privada. Cachoeiras, cavernas, rios e igarapés não sofrerão intervenções que as descaracterizem ou possam comprometê-los ambientalmente. Esse compromisso foi reafirmado com participantes do Flifloresta.

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