O papel da Corte

Publicado em: 25/06/2009 às 00:00 | Atualizado em: 25/06/2009 às 00:00

Ivânia Vieira*

A ideia inicial era falar de um assunto que ganhou dimensão pública – o fim da exigência do diploma para o exercício do Jornalismo, por decisão quase unânime do Supremo Tribunal Federal, no dia 17 último. Falar da melancolia experimentada pela forma como os ministros do Supremo trataram o assunto e, particularmente, o presidente do STF, Gilmar Mendes.

Um tema de relevância a uma parcela expressiva dos 80 mil profissionais dessa categoria e outras tantas centenas de estudantes das escolas de Jornalismo espalhadas pelo País, aos familiares desse contingente de pessoas. De um Supremo exige-se, por dever de ofício, e pelos ótimos salários e fantásticas vantagens que garantimos a seus integrantes, atitudes de uma alta corte. Gilmar Mendes fez o caminho contrário, comparações no mínimo indevidas.

Queria falar aos estudantes, principalmente aqueles que querem ser jornalistas, muito além do show do momento, que invistam na sua formação hoje. Qualifiquem-se e avancem nos seus conhecimentos. Queria falar do particular, lembrando das ladeiras que venci até concluir o meu curso de Jornalismo e, na contramão de outros depoimentos, dizer publicamente, o quanto sou grata por ter feito Jornalismo, por cada professor e professora que passaram pela minha vida de estudante. E por que hoje continuo tendo fome de aprender para tentar responder, com responsabilidade, aos novos desafios dessa profissão, ora desmantelada por um ato da forma que foi executado, equivocado.

Mas, o presidente do STF continua a soltar frases numa atitude nada suprema. Parece tripudiar e provocar. O único mérito na postura de Gilmar Mendes é o de repetir, nos últimos dias, que outras profissões vão cair. Então, profissionais ameaçados, mobilizem-se!

O STF tem um papel que parece esquecido, quando cria tumultos dessa ordem, e seu presidente sai por ai dando recados, promovendo a instabilidade. É algo mais ou menos assim: uma bomba vai explodir a qualquer momento e vocês, potenciais vítimas, não terão como se proteger dela. É uma inversão da Suprema Corte.

*Jornalista, professora do Curso de Comunicação Social/Ufam.

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