Silêncio nas ruas e país na rotina marcam Bolsonaro no banco dos réus

STF iniciou julgamento de Bolsonaro e seus golpistas sem registro de protestos nem mesmo em redutos bolsonaristas.

Da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 02/09/2025 às 18:51 | Atualizado em: 02/09/2025 às 18:52

O primeiro dia do julgamento de Bolsonaro e dos seus golpistas integrantes do chamado núcleo 1 do golpe de Estado, nesta terça-feira (2 de setembro), ocorreu sem registro de manifestações em todo o país, nem de apoio, nem de repúdio aos réus.

Apesar das expectativas e temores de mobilizações, o clima nas ruas foi de normalidade.

O brasileiro seguiu a rotina, ainda que muitos tenham acompanhado, ao vivo, as transmissões da sessão pelo canal do Supremo Tribunal Federal (STF), retransmitida pelo BNC Amazonas , e por emissoras de TV e rádio.

Clima de normalidade

Autoridades de segurança chegaram a se preparar para eventuais protestos, sobretudo em capitais, mas o cenário foi de total ausência de atos públicos.

Não houve bloqueios de vias, carreatas ou concentrações em frente a sedes do Judiciário.

A tranquilidade contrasta com o histórico de mobilizações em torno de eventos políticos envolvendo Bolsonaro, inclusive com episódios de violência, como nas vésperas e no dia 8 de janeiro de 2023.

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Julgamento histórico

No STF, a Procuradoria-Geral da República (PGR) sustentou a acusação contra Bolsonaro e os demais réus, apontando a tentativa de ruptura da ordem democrática e pedindo a condenação de todos.

A sessão foi transmitida na íntegra, em duas partes, na manhã e tarde, permitindo ao público acompanhar o relatório de Alexandre de Moraes, a manifestação da acusação da PGR e da defesa dos réus, tudo em tempo real.

A defesa de Bolsonaro ficou para a sessão da primeira turma do STF desta quarta-feira, dia 3.

O “silêncio das ruas”

Para analistas da mídia, a ausência de atos pode indicar desmobilização das bases bolsonaristas, cansaço político da população após anos de polarização ou, ainda, uma percepção de que o julgamento é um tema a ser resolvido pelas instituições, e não nas ruas.

“O fato de não termos manifestações mostra que a democracia brasileira amadureceu. A sociedade parece mais disposta a deixar que os processos sigam no campo jurídico”, avaliou um deles.

Do 8 de Janeiro ao 2 de setembro

8 de janeiro de 2023: ataques às sedes dos Três Poderes em Brasília, com forte mobilização e violência.

2 de setembro de 2025: julgamento dos líderes da tentativa de golpe, sem qualquer protesto significativo.

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil