Lula pede ajuda popular contra ameaça de anistia a Bolsonaro e seus golpistas

Em Belo Horizonte, presidente afirma que risco de aprovação da anistia a Bolsonaro e seus golpistas exige vigilância e participação popular

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Da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 04/09/2025 às 21:25 | Atualizado em: 04/09/2025 às 21:25

O presidente Lula da Silva (PT) fez nesta quinta-feira (4 de setembro) um apelo direto à mobilização popular diante do que classificou como um “risco real” de o Congresso Nacional aprovar a anistia a Bolsonaro e seus golpistas à democracia do país.

O alerta foi dado durante encontro com comunicadores e ativistas do Aglomerado da Serra, em Belo Horizonte (MG).

⁠“Se votar no Congresso, corremos risco da anistia. O Congresso tem ajudado o governo, mas a extrema direita tem muita força ainda. É uma batalha que precisa ser feita também pelo povo”, afirmou.

Lula lembrou que, apesar da parceria construída com o Legislativo para aprovar pautas de interesse do governo, setores bolsonaristas seguem ativos e influentes no parlamento.

Entre esses, lideranças que defendem abertamente o perdão a Bolsonaro (PL), chefe da organização criminosa do golpe, e todos os condenados por participação no plano.

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Democracia além do voto

Lula reforçou que a defesa da democracia vai além do direito de escolher governantes nas urnas.

Para ele, governar exige a participação ativa da sociedade, com fiscalização e cobrança permanentes.

⁠“Democracia não é só direito de votar, mas também o direito de governar, de dar palpite, de ajudar a governar. Muitas vezes quem sabe fazer as coisas não é o governo, são vocês. O governo é a porta e vocês são o vento”.

O presidente incentivou críticas e pressão popular sobre sua gestão, dizendo que “o governo, se estiver errado, tem que tomar cacete mesmo”.

Recado ao Congresso

O debate ocorre em meio à articulação de aliados de Bolsonaro e da extrema direita para aprovar no Congresso uma anistia ampla.

Governadores como Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) e líderes do centrão, como Hugo Motta (Republicanos-PB), o presidente dos deputados, são citados como articuladores da proposta.

Segundo Lula, “o Congresso não é eleito pela periferia” e, por isso, a mobilização de quem mais sente os efeitos de decisões políticas é fundamental para barrar retrocessos.

Ele também ironizou opositores, dizendo que “falsos patriotas” chegam a pedir “intervenção” de Donald Trump no Brasil.

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Histórico e resistência

O tema da anistia é sensível e foi rechaçado pelo próprio Lula em janeiro de 2024, durante o ato “Democracia inabalável”, quando afirmou que o perdão soaria como impunidade.

A CPI mista dos atos de 8 de Janeiro terminou com 61 indiciamentos, incluindo Bolsonaro, e o Supremo Tribunal Federal já condenou dezenas de envolvidos, com penas que chegam a 17 anos de prisão.

Movimentos sociais, entidades jurídicas e acadêmicas têm manifestado oposição a qualquer projeto que leve à anistia de Bolsonaro, que ainda não foi condenado, alegando que isso minaria o esforço de responsabilização e fortaleceria discursos golpistas.

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil