Gleisi articula ofensiva contra projeto de anistia no Congresso

Ministra articula ofensiva no governo para frear anistia que pode reverter inelegibilidade de Bolsonaro.

Publicado em: 06/09/2025 às 20:12 | Atualizado em: 06/09/2025 às 20:12

A ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, pretende reunir ministros do 1º escalão do governo federal na próxima segunda-feira (8/9), às 10h, no Palácio do Planalto, para discutir estratégias contra o projeto de anistia em tramitação na Câmara dos Deputados.

A medida, defendida por aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), busca conceder perdão judicial a condenados dos atos de 8 de Janeiro e ao próprio Bolsonaro, acusado de tentar um golpe de Estado após perder as eleições de 2022 para Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Governo tenta conter avanço da proposta

Gleisi deve pedir aos ministros – sobretudo os ligados a partidos do centrão – que pressionem suas bancadas contra a anistia.

A tarefa, no entanto, enfrenta resistência.

União Brasil e PP, que mantêm cargos de destaque no governo, são favoráveis ao perdão. Mesmo após anunciarem o desembarque da base governista, os partidos continuam ocupando ministérios, como o Turismo, comandado por Celso Sabino (União), e o Esporte, chefiado por André Fufuca (PP).

Anistia ganha força com apoio do centrão

O movimento em favor da anistia ganhou novo fôlego após articulação do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), em Brasília.

O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), admitiu que “o ambiente mudou” e que agora há “boa vontade” do centrão para levar o tema adiante. PL, PP, União Brasil e Republicanos – partidos que somam 242 deputados – já declararam apoio à proposta.

Impacto político direto em Bolsonaro

O texto da anistia, articulado pelo líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), prevê perdão a todos os condenados, processados ou investigados desde 14 de março de 2019, início do inquérito das fake news no STF.

Além de extinguir processos e cancelar multas, a medida pode reverter a inelegibilidade de Bolsonaro, permitindo sua candidatura em 2026.

Enquanto isso, Bolsonaro enfrenta julgamento no STF até sexta-feira (12.set), com tendência de condenação pela 1ª Turma.

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Caso confirmada, a decisão consolidará a inelegibilidade do ex-presidente, abrindo espaço para Tarcísio de Freitas se firmar como principal alternativa da direita na disputa pelo Planalto.

Foto: Gabriel Paiva/fotospúblicas