O santo de araque da Paulista
Para o autor, o ato na Paulista expôs a hipocrisia de quem tenta apagar os horrores do bolsonarismo
Por Plínio César Coelho
Publicado em: 08/09/2025 às 09:07 | Atualizado em: 08/09/2025 às 09:07
Mais uma vez, neste 7 de setembro, a avenida Paulista foi sequestrada pela encenação da manada conduzida pelo falso pastor Silas Malafaia.
Um empresário da fé, que pede dinheiro até de quem não tem o que comer, transformando a religião em gráfica, editora, avião e agência de viagens.
Vive de explorar a fé e, de quebra, usa seu púlpito para fazer política, influenciando senadores, deputados e governadores.
Agora, de mãos dadas com Tarcísio, governador de São Paulo, tenta pintar Jair Bolsonaro como santo, como ungido, como vítima do Supremo e da Procuradoria-Geral da República.
Querem vender a ideia de um inocente perseguido, como se o Brasil tivesse esquecido os horrores que ele nos fez viver.
Não esquecemos! Bolsonaro debochou da pandemia, atrapalhou a chegada das vacinas, atacou o Instituto Butantan e espalhou a mentira de que quem se vacinasse viraria “jacaré”.
Enquanto o povo enterrava seus mortos, ele zombava.
Bolsonaro também foi o maior desacreditador das urnas eletrônicas — as mesmas urnas pelas quais foi eleito deputado federal durante 28 anos e presidente da República.
E não só ele: todos os seus filhos escolheram a vida política e foram eleitos pelo mesmo sistema que o pai ataca. Carlos, Eduardo, Flávio e até Renan — todos chegaram ao poder pelas urnas eletrônicas. Hipocrisia em estado puro.
Já antevendo sua derrota, Bolsonaro tentou tumultuar o processo democrático e sequer teve a coragem de entregar a faixa presidencial ao seu sucessor. Fugiu para fora do país e deixou que seu vice, Hamilton Mourão, cumprisse a obrigação mínima de entregar a faixa ao presidente eleito pelo voto popular.
No ato da Paulista, a ex-primeira-dama Michele Bolsonaro também se apresentou no palco, chorando lágrimas de crocodilo, dizendo que ela e sua família estão sofrendo uma grande injustiça. Uma cena ensaiada para sensibilizar a plateia, mas que não apaga os privilégios, os escândalos e os crimes que rondam sua família.
E não vamos esquecer mais:
– Bolsonaro exaltou torturador em plena Câmara dos Deputados;
– Bolsonaro desprezou a Amazônia diante do mundo, abrindo espaço para queimadas, garimpo ilegal e devastação;
– Bolsonaro desmontou políticas públicas e perseguiu professores, artistas e jornalistas.
– Sua marca é a violência, a mentira e o caos.
É esse homem que querem transformar em santo? Santo do deboche, da morte, da ditadura e da covardia? Esse é o “santo de araque” que Silas Malafaia, Tarcísio e companhia tentam empurrar goela abaixo do povo.
Mas, a história não se apaga — e o Brasil não vai esquecer!
*O autor é economista, professor-adjunto da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), mestre em administração pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e doutorando em ciências empresariais e sociais na Universidad de Ciencias Empresariales y Sociales (Uces), Buenos Aires, Argentina.
Arte: Gilmal
