No exterior, atitude de Fux é vista como rompimento com colegas
Reuters, Al Jazeera e AP destacaram “rompimento” do ministro com colegas e apontaram impactos na corrida eleitoral de 2026
Da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 11/09/2025 às 09:16 | Atualizado em: 11/09/2025 às 09:16
O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), abriu divergência nesta quarta-feira (10) na Primeira Turma ao rejeitar a hipótese de participação do ex-presidente Jair Bolsonaro em tentativa de golpe de Estado ou abolição do Estado Democrático de Direito.
Dessa maneira, a decisão de Fux repercutiu dentro e fora do Brasil. No exterior, por exemplo, a atitude do ministro foi vista como rompimento com os colegas.
Conforme O Globo, em um voto longo e minucioso, apelidado de “voto-maratona”, Fux absolveu Bolsonaro e contestou as provas apresentadas pelo Ministério Público.
Segundo o ministro, não há comprovação material de que Bolsonaro tenha participado dos atos de 8 de janeiro, que depredaram as sedes dos Três Poderes em Brasília.
Imprensa internacional
A imprensa internacional repercutiu amplamente o posicionamento. A Reuters destacou que Fux “rompeu” com seus pares, fortaleceu os argumentos da defesa para pedir que o caso seja levado ao plenário do STF e “aumentou as chances de uma apelação”.
A agência ponderou, no entanto, que ainda é provável uma condenação na sequência do julgamento, previsto para ser retomado nesta quinta-feira com o voto da ministra Cármen Lúcia. Segundo a Reuters, um eventual processo longo de recursos poderia “aproximar os procedimentos da campanha presidencial de 2026”.
O canal Al Jazeera também ressaltou o “rompimento” de Fux com seus colegas e destacou sua crítica à “incompetência absoluta” da Primeira Turma.
Ao mesmo tempo, a emissora mencionou ainda que a defesa de Bolsonaro alegou falta de tempo para analisar o “tsunami de dados” apresentados na acusação. Apesar disso, a emissora considerou improvável que a decisão de Fux reverta a tendência majoritária pela condenação.
Já Associated Press (AP), por sua vez, descreveu o voto de Fux como um “alívio temporário” para Bolsonaro e uma oportunidade para sua equipe jurídica reforçar recursos.
Assim, a agência também destacou a reação dos demais ministros e a tensão em torno do julgamento, que polarizou o país e mobilizou milhares de apoiadores do ex-presidente nas ruas em datas recentes.
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Foto: Antônio Cruz/STF
