Norte Conectado: a revolução digital que liga o Brasil ao futuro

O objetivo é levar internet rápida a mais de 10 milhões de pessoas, sobretudo em regiões antes sem conectividade

Por Frederico de Siqueira Filho

Publicado em: 18/09/2025 às 20:25 | Atualizado em: 18/09/2025 às 20:26

Sob as águas silenciosas dos rios da Amazônia corre uma revolução invisível, feita de luz, dados e conexão. Ela nasce da maior obra de infraestrutura digital da história da região.

O Governo Federal está interligando os estados do Norte do Brasil por meio de uma rede de 12 mil quilômetros de cabos de fibra óptica submersos. A missão é levar internet de alta velocidade a mais de 10 milhões de pessoas, muitas delas em áreas onde, até pouco tempo, a conectividade era um sonho distante.

O projeto já está em operação em diversos municípios e, agora, dá um salto ainda maior. Manaus se torna o ponto central e pulsante dessa nova era digital.

Na capital amazonense, está sendo realizada a conexão entre redes mais antigas e as novas infovias do programa Norte Conectado, do Ministério das Comunicações. Três já estão ativas, e outras três devem ser concluídas até o final do próximo ano.

Cada infovia carrega uma correnteza de dados, formada por cabos com 24 pares de fibras ópticas, com capacidade de transmissão de até 4 terabits por segundo (Tb/s) por par. Isso equivale ao tráfego simultâneo de até 200 mil vídeos em alta definição em cada par de fibra.

Essas estruturas se somam a outras duas, criadas no passado pelo programa Amazônia Conectada, que agora serão recuperadas. Ao todo, o investimento previsto é de R$ 1,3 bilhão para a conclusão do projeto.

No último dia 9, o presidente Lula acompanhou o lançamento dos cabos no leito do Rio Negro, reforçando o compromisso com a conectividade e o desenvolvimento da região. Mais do que dados, essa malha carrega oportunidades, promovendo transformação digital, inclusão social e crescimento econômico por onde passa.

A internet trouxe ao mundo possibilidades e ferramentas que não podem ser privilégio de apenas uma parcela da sociedade. Nossa missão é garantir que ela chegue a todos.

Queremos que nossas crianças e adolescentes tenham melhores condições de aprendizado, que os moradores de comunidades isoladas possam se comunicar com mais facilidade e que serviços como a telemedicina alcancem até os pontos mais remotos.

O Norte Conectado é um projeto transformador do governo do presidente Lula. Ele une soberania, inclusão e legado. E faz isso respeitando a Floresta Amazônica.

Ao optar por instalar a rede por meio de infovias subfluviais, evitamos o desmatamento. Uma estrutura semelhante feita por postes e antenas exigiria a derrubada de mais de 68 milhões de árvores, algo que decidimos não fazer.

Com Manaus como hub central, a rede ligará o extremo leste da região (Belém-PA e Macapá-AP) ao extremo oeste (Tabatinga-AM e Cruzeiro do Sul-AC), passando por 70 municípios e se ramificando para o sul (Porto Velho-RO) e para o norte (Boa Vista-RR).

Essa infraestrutura também permitirá interligar o Brasil às redes de fibra da Colômbia. No futuro, isso abrirá uma nova porta de entrada de internet no país, com dados vindos dos cabos que chegam pelo Oceano Pacífico.

Mas as infovias não chegam sozinhas. Elas fazem parte de um ecossistema mais amplo de políticas públicas de inclusão digital promovidas pelo Governo Federal.

O programa Computadores para Inclusão já entregou mais de 7.500 equipamentos recondicionados em 167 municípios da Região Norte e formou milhares de jovens e adultos em cursos de tecnologia.

O Escolas Conectadas levou internet a mais de 8 mil unidades de ensino, ampliando o alcance da educação digital. E o Wi-Fi Brasil oferece conexão via satélite em mais de 4.500 pontos nos estados do Norte, atendendo locais como unidades de saúde, comunidades indígenas e associações comunitárias.

Essas são estratégias complementares, pensadas para enfrentar os desafios de um território tão vasto quanto diverso. Nosso objetivo é não deixar ninguém de fora da revolução digital que transforma o mundo e garantir que todos tenham as mesmas oportunidades de crescer, aprender e se conectar.

O autor é ministro das Comunicações.

Foto: Ministério das Comunicações/divulgação