Gratidão de idoso venezuelano ao Brasil toca presidente do STF

Gesto aconteceu em Roraima: "Um senhor de 80 anos, que já deveria estar repousando, me disse: ‘Obrigado por ser bem recebido no Brasil’"

Publicado em: 28/09/2025 às 11:06 | Atualizado em: 28/09/2025 às 11:21

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Barroso, relatou ter se emocionado com a gratidão de um idoso venezuelano de 80 anos, que o abordou para agradecer pela acolhida no Brasil, em Roraima.

Episódio que o ministro destacou como símbolo do impacto humanitário da migração no país.

Em entrevista concedida à coluna de Mônica Bergamo, o ministro declarou que deixar a Corte é uma “possibilidade”, mas não uma decisão tomada. 

Barroso afirmou que ainda “não tomou essa decisão” e que tem ponderado seu futuro no STF. 

Ele disse que havia feito esse compromisso com sua falecida ex-esposa — pretendiam, após seu mandato à frente do tribunal, ter uma vida mais leve. Com a morte dela em 2023, o ministro afirmou que perdeu parte desse referencial pessoal. 

Barroso acrescentou que já discutiu o tema com o presidente Lula, mas negou que haja acertos sobre cargos externos, como embaixadas, como se especulou nos bastidores. 

Sobre pressões externas, ele afirmou que decisões como possível sanção dos EUA sob a Lei Magnitsky não seriam fator determinante em sua escolha de permanecer ou sair do STF. 

O ministro também fez um balanço de sua atuação no tribunal: comentou episódios como seu voto em processos relacionados à Lava Jato, reconhecendo que a operação teve “excessos” e acabou se politizando, mas afirmou que não se arrepende de suas decisões. 

Barroso ainda defendeu que uma eventual anistia para Jair Bolsonaro não pode ser considerada antes ou durante julgamento.

Porém, manifestou abertura para debate de redução de pena para envolvidos de menor relevância nos eventos de 8 de janeiro.

O posicionamento ocorre em momento de transição no STF: Barroso deixará a presidência do tribunal e será substituído por Edson Fachin, conforme regra de antiguidade entre os ministros. 

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Foto: Carlos Moura/SCO/STF