MP-AM investiga vereadora após fala a favor da violência contra mulher
Declarações de Elizabeth Maciel em sessão de Borba podem configurar crime. Assunto já chegou ao Congresso.
Aguinaldo Rodrigues, especial para o BNC Amazonas
Publicado em: 01/10/2025 às 19:38 | Atualizado em: 01/10/2025 às 19:39
O Ministério Público do Amazonas (MP-AM) instaurou neste 1⁰ de outubro (quarta-feira) um inquérito civil para investigar a conduta da vereadora Elizabeth Maciel de Souza (Republicanos), conhecida como Betinha, após ela declarar ser “a favor da violência contra a mulher” durante sessão da câmara municipal de Borba.
As falas, registradas em plenário no último dia 29 de setembro, repercutiram em nível local e nacional.
Segundo o promotor de Justiça Alison Buchacher, responsável pelo caso, as declarações não estão amparadas pela liberdade de expressão nem pela imunidade parlamentar.
Para ele, trata-se de discurso de ódio que pode configurar crime previsto no Código Penal.
“O Ministério Público adotará as providências necessárias para apurar os fatos e promover eventual responsabilização nas esferas cível e penal”, afirmou.
Caso também na polícia
O inquérito prevê a notificação da parlamentar para apresentar defesa em até dez dias, conforme o MP.
Também serão anexadas ao procedimento matérias jornalísticas, publicações em redes sociais, comentários de terceiros e a própria gravação da sessão.
A delegacia de polícia de Borba foi requisitada a instaurar procedimento criminal cabível, inclusive por apologia ao crime e possível violência política.
Recomendação à câmara de Borba
Além da investigação, o MP-AM expediu recomendação à câmara de Borba para que adote medidas capazes de coibir discursos de ódio no plenário.
O órgão orienta que os parlamentares se abstenham de declarações discriminatórias ou que incentivem violência, sob pena de responsabilização judicial.
“O discurso proferido reproduz e reforça uma realidade machista, sexista e misógina que vem sendo combatida há anos. O cenário se agrava quando consideramos que tais palavras foram ditas em sessão solene, por uma representante do povo, cujas ideias formam opinião pública”, destacou o promotor.
A câmara tem 30 dias para prestar informações ao MP sobre as medidas adotadas. Caso contrário, o órgão poderá recorrer à Justiça para garantir a efetividade da recomendação.
Repercussão no Congresso
O episódio ultrapassou os limites municipais e chegou ao Senado.
Durante reunião da Comissão da Mulher, a senadora Damares Alves (Republicanos), presidente nacional do setor feminino do partido, classificou como “inadmissível” a fala da vereadora e pediu que o caso seja apurado com rigor.
Na Câmara dos Deputados, o caso também foi discutido em plenário, conforme noticiou o BNC Amazonas.
Parlamentares usaram a tribuna para criticar as declarações da vereadora, cobraram providências institucionais e reforçaram a necessidade de responsabilização para proteger mulheres e fortalecer a política de enfrentamento à violência de gênero.
A manifestação nas duas casas do Congresso reforça a pressão política e institucional sobre a câmara de Borba.
O que se sabe do caso
O que disse a vereadora
- • Durante sessão solene em Borba, Betinha, afirmou:
“Eu sou a favor da violência contra a mulher, porque tem muita mulher que só aprende apanhando.”
O que faz o MP-AM
- • Abriu inquérito civil para apurar responsabilidade civil e eventual crime.
- • Notificou a parlamentar e requisitou investigação criminal à polícia.
- • Recomendou à câmara de Borba adotar medidas contra discursos de ódio. Reação política
- • No Senado, Damares Alves (Republicanos) classificou a fala como “inadmissível”.
- • Na Câmara dos Deputados, parlamentares usaram a tribuna para cobrar rigor e responsabilização.
- • O caso já alcança repercussão nacional e pressiona a câmara de Borba.
Foto: divulgação
