Derivados da mandioca ganham coloração e novos sabores
É isso que demonstra o estande do Idam, na 47ª Feira Agropecuária do Amazonas (Expoagro).
Wilson Nogueira, da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 04/10/2025 às 09:18 | Atualizado em: 04/10/2025 às 09:18
Os produtos derivados da mandioca conquistam novos mercados na medida que se diversificam, melhoram seus processos produtivos e agregam valor nutricional.
É isso que demonstra o estande do Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas (Idam), na 47ª Feira Agropecuária do Amazonas (Expoagro), no km 2 da BR-174, que vai até domingo, 5 de outubro.
O espaço representa, inclusive, uma farinhada, com simulacro de forno aquecido à lenha e mexedor de remo, o jeito tradicional e se fazer a farinha que chega à mesa dos consumidores.

Quem faz o papel de farinheiro é o técnico em agropecuária da gerência de produção em agricultura vegetal do Idam Suzamar Santos, que ministra cursos e oficinas de pós-colheita da mandioca para agricultores familiares amazonenses.
A convite de agricultores, por meio de uma agenda do Idam, Santos percorre comunidades produtoras de mandioca para repassar técnicas no processo de elaboração dos produtos, como livrá-los de bactérias e fungos e dotá-los de valor agregado no mercado consumidor.
Seiscentos produtos
Santos disse que o Idam já catalogou 600 produtos derivadas da mandioca.
A farinha, item quase obrigatório na mesa nortista, é o mais popular, seguido do pé-de-moleque, tucupi e goma (fécula), da qual se faz a farinha de tapioca, a tapioquinha, o tapiocão e o x-caboquinho.

Conforme Santos, a inovação deve partir das próprias comunidades produtoras para que elas usufruam dos ganhos de mercado. Os cursos e as oficinas, mais o apoio técnico e tecnológico do Idam, oferecem essa possibilidade.
“A proposta do Idam é reduzir os atravessadores na cadeia de distribuição, que acrescenta 60% a mais no preço final dos produtos. Com valor agregado e venda direta ao consumidor, o preço final cai e o produtor ganha mais”.
Entre o produtor e o consumidor final existem ao menos sete atravessadores.
Leia mais
Mandioca, descoberta indígena da Amazônia que ganhou o mundo
Inovação
A farinha d’àgua, o pé-de-moleque, o tucupi e os derivados da goma são os que mais incorporam valor agregado.
Existem farinhas saborizadas, pés-de-moleque com recheios, farinha de tapioca e beijus colorizados com a mistura de raízes, legumes e verduras.
As farinhas saborizadas como pimentas, charque, bacon etc., já estão no mercado há algum tempo, assim como a goma e sua diversidade de recheios.
Daqui até o próximo ano, entretanto, estará nas feiras e mercados a farinha de tapioca em diversas cores, em razão da sua mistura com couve, beterraba, cenoura, café, açaí, maracujá etc., mas uma variedade pés-de-moleque recheados com banana, abacaxi, goiabada etc.
Os novos produtos são desenvolvidos e aprimorados por pesquisadores e técnicos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e do Idam.
Vantagem para o agricultor
Santos disse que as boas práticas na cultura da mandioca ajudam as famílias a produzirem e ganhar mais.
“Com cinco quilos de massa de mandioca produz-se dois quilos de farinha, enquanto, com a mesma quantidade, são feitos 35 pés-de-moleque de 250 gramas. Se o agricultor consegue vendê-los diretamente ao consumidor ao preço de R$ 10 a unidade, ele terá R$ 350, já a farinha lhe renderá em torno de R$ 20”.
A mesma técnica de coloração poderá ser aplicada à variedade de sequilhos e chips da massa da mandioca e da macaxeira, também conhecida como mandioca de mesa, consumida após cozimento ou transformada em ingrediente culinário.

Novas cultivares
Santos afirmou que o Idam incentiva o cultivo de dez cultivares desenvolvidas geneticamente pela Embrapa, resistentes a pragas e mais produtivas.
No próximo dia 9, as duas instituições irão lançar mais uma variedade aprimorada, a jacundá.
Elas são distribuídas por demanda dos agricultores que as reproduzem em “jardins clonais” e as fazem circular nas roças.
No Amazonas existem, atualmente, ao menos 70 mil famílias que plantam roças de mandioca, mas somente 30 mil destinam sua produção ao mercado regularmente.
Juntos, produzem entre 10 mil e 12 mil toneladas de raízes por ano.
- O maior produtor de farinha é Tefé, no médio rio Solimões.
Ração para animais
De acordo com o técnico do Amazonas, seus cursos e oficinas ensinam como aproveitar as folhas da maniva e as cascas para a produção de ração para aves, suínos e peixes. As folhas possuem mais proteína que as raízes, as quais só acumulam 3% de valor proteico.
Os carboidratos, principalmente o amido, dominam a composição química da mandioca.
À ração podem ser acrescentados complexos vitamínicos conforme a quantidade recomendada para cada animal.
Fotos: Wilson Nogueira/especial para o BNC Amazonas
