Damares posa de ambientalista e pede criação de comissão da Amazônia
A senadora do Distrito Federal, que defende o legado desastroso de Jair Bolsonaro na área do meio ambiente, pede criação do colegiado no Senado para homenagear a COP-30 em Belém
Iram Alfaia, do BNC Amazonas em Brasília
Publicado em: 09/10/2025 às 07:43 | Atualizado em: 09/10/2025 às 07:43
Defensora das ações do governo de Jair Bolsonaro (PL) na área do meio ambiente, que foi responsável, entre outros desastres, pelo aumento do desmatamento em 60% na região, a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) pediu a criação da Comissão da Amazônia no Senado.
Para isso, a senadora adotou um discurso ambientalista por conta da escolha de Belém (PA) como capital do Brasil durante a realização da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP-30).
“Queria aproveitar essa matéria para trazer aqui para o senhor uma sugestão para a gente fazer um aceno para a COP, o Senado. Olha o aceno, a decisão mais justa e acertada que o senhor vai tomar para a COP: vamos criar a comissão da Amazônia aqui no Senado”, propôs a senadora nesta terça-feira (7 de outubro).
“Obrigado pela sugestão. Vou recolher essa sugestão e vou avaliar com muito carinho”, responde o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
Damares justifica que são nove estados na região, o maior território do Brasil. “Quantos problemas de desenvolvimento regional, desde o açaí ao petróleo, violação de direitos humanos, desenvolvimento indígena, o que tem para a gente decidir de soberania nacional na Amazônia”, defende.
“Está na hora de o Senado dar um aceno para a COP e a gente criar aqui dentro deste Senado a comissão da Amazônia. Resolvendo o problema da Amazônia, a gente resolve o problema do país. Eu tenho certeza”, argumenta.
Contrassenso
Numa audiência no Senado com Marina Silva, atual ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Damares defendeu o governo Bolsonaro e o então ministro Ricardo Salles (Meio Ambiente), considerado os principais responsáveis pelo desmonte da área ambiental.
“Até quando vão fugir da responsabilidade e tentar culpar Bolsonaro pelo próprio fracasso? Desde 2019 criaram a narrativa mentirosa de que nosso governo era contra a preservação do meio ambiente, mas o fato é que hoje só vemos aumentar os registros de queimadas”, disse a senadora.
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Contudo, os números deixados pelo governo anterior são expressivos. Além do desmatamento recorde, houve a maior onda de invasão de garimpeiros nos últimos 40 anos nas terras indígenas dos ianomâmi.
Desse modo, criou-se uma crise sanitária grave naquele povo, que resultou no aumento de mortes por desnutrição de indígenas em 331% nos quatro anos de Bolsonaro.
“Foram centenas de quilômetros de rios destruídos por uma epidemia de garimpo na Amazônia e com o Brasil minando os esforços internacionais de combate à mudança do clima”, lembra o Observatório do Clima.
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Foto: Pedro França/Agência Senado
