Artimanhas mascaravam engrenagem criminosa no STJ
PF aponta uso de códigos cifrados e nomes falsos em rede de venda de decisões judiciais
Da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 16/10/2025 às 15:46 | Atualizado em: 16/10/2025 às 15:54
A Polícia Federal desvendou uma rede criminosa que operava dentro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) para vender decisões judiciais. O grupo usava artimanhas, mensagens cifradas e identidades falsas para ocultar um esquema que envolvia advogados, lobistas, empresários e ex-servidores.
A PF descreve o caso como parte de um sistema articulado e duradouro.
“As análises revelaram uma rede criminosa sistêmica, composta por múltiplos operadores, camadas de atuação e fluxos financeiros sofisticados”, diz o relatório.
O esquema funcionava em três frentes. Ex-servidores de gabinetes vazavam informações e alteravam minutas de decisões. Advogados e lobistas captavam clientes interessados em sentenças favoráveis. Empresários, principalmente do agronegócio, eram os beneficiários diretos.
Mensagens interceptadas mostram o uso de um vocabulário cifrado. Termos como “pedreiro” e “veterinária” mascaravam os verdadeiros interlocutores.
“Expressões como ‘a obra está pronta’ correspondiam a uma minuta finalizada, e ‘faltam os retoques do patrão’ indicavam a assinatura do magistrado”, detalha a PF.
Em celulares apreendidos, havia listas de processos com observações como “voto pronto e enviado pra vc”, o que indicaria um controle paralelo das decisões judiciais.
O inquérito tramita sob sigilo no Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do ministro Cristiano Zanin. Os ministros Og Fernandes, Isabel Gallotti e Nancy Andrighi tiveram gabinetes citados, mas não são investigados.
A PF reforça que o relatório é parcial e que novas diligências devem aprofundar o rastreamento financeiro da rede.
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Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil
