Despejado após 85 anos de casa, Aeroclube de Manaus sai em 40 dias

Após 85 anos no aeroporto de Flores, despejo chega em acordo judicial com a Infraero

Da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 23/10/2025 às 20:40 | Atualizado em: 23/10/2025 às 21:24

O Aeroclube do Amazonas vai deixar o aeroporto de Flores, em Manaus, até o final de novembro. A saída, após 85 anos de ocupação, foi definida em um acordo judicial firmado com a Infraero Aeroportos na 3ª Vara da Justiça Federal.

O presidente do Aeroclube, Cassiano Ouroso, classificou o entendimento como “um péssimo acordo”, mas afirmou que não havia alternativa diante das penalidades previstas na ordem de despejo.

⁠“Já chegamos à audiência com a certeza de que um péssimo acordo seria feito, porque as punições eram graves e muito caras. A Infraero nos ameaçava com multas e cobranças de até R$ 500 milhões. Peço desculpas a todos, mas não havia o que fazer”.

Infraero cobra dívidas

Pelo acordo, o Aeroclube tem 40 dias para desocupar todas as áreas — incluindo salas de aula, hangares, simuladores, setor administrativo e o pátio usado em eventos dos associados.

Até a desocupação, terá que pagar R$ 15 mil mensais de aluguel à Infraero.

Ouroso informou que a prioridade será concluir a formação da atual turma de pilotos e montar um grupo de trabalho para negociar as dívidas e a transferência da Escola de Aviação para outro espaço.

⁠“Foi um passo atrás para ver o que faremos no futuro”.

História vem da Segunda Guerra

Fundado em 1940 sob a inspiração do jornalista e empresário Assis Chateaubriand, o Aeroclube do Amazonas surgiu como parte de uma campanha nacional para a criação de escolas de aviação em todos os estados.

No Amazonas, o projeto foi apoiado pelo então interventor Álvaro Maia, que doou o terreno e bancou a construção das primeiras instalações.

Em 1976, o aeródromo foi estatizado durante o governo Ernesto Geisel, mas o Aeroclube manteve a administração por meio de comodato, renovado até 2023.

Com a concessão do aeroporto internacional Eduardo Gomes a empresa privada, coube à Infraero a gestão do aeroporto de Flores. E, desde então, a estatal vem cobrando taxas e aluguéis que não foram pagos, acumulando uma dívida de cerca de R$ 500 milhões.

Única escola de aviação do Norte

O despejo representa o fim de uma era para a única escola de formação de pilotos da região Norte.

Fundada ainda no contexto da Segunda Guerra Mundial, a instituição foi responsável pela formação de centenas de profissionais da aviação civil e militar ao longo de oito décadas.

Entenda o caso

Quem é o Aeroclube do Amazonas

Fundado em 1940, o Aeroclube é a mais antiga escola de aviação da região Norte e formou gerações de pilotos civis e militares.

O que diz a Infraero

A estatal cobra taxas e aluguéis atrasados desde 2023, quando passou a administrar o aeroporto de Flores após a concessão do aeroporto Eduardo Gomes.

O que está em jogo

Com o despejo, Manaus corre o risco de perder sua única escola de aviação em funcionamento, que há 85 anos forma profissionais para o setor aéreo regional.

Foto: reprodução/TV Amazonas