Falso advogado: golpe digital causa prejuízo de R$ 2,8 bilhões

Quadrilhas clonam advogados, acessam processos e usam inteligência artificial para enganar vítimas em busca de indenizações e benefícios.

cédulas real

Publicado em: 26/10/2025 às 21:37 | Atualizado em: 26/10/2025 às 21:38

O golpe do falso advogado virou um negócio bilionário no Brasil. Só nos últimos três anos, as perdas já somam R$ 2,8 bilhões.

A fraude começa com uma ligação ou mensagem aparentemente legítima. Os criminosos se passam por advogados, prometem liberar valores da Justiça e cobram taxas imediatas.

Com credenciais reais de advogados, quadrilhas invadem os sistemas eletrônicos dos tribunais. Lá, encontram nomes, e-mails e telefones de quem tem ações em andamento. Segundo Ana Tereza Basílio, presidente da OAB-RJ, “99,9% dos processos judiciais são eletrônicos”, o que facilita o acesso indevido.

A vítima acredita estar falando com seu próprio advogado — e paga. O servidor Gilberto Alves, de Brasília, viveu essa experiência. “A mensagem que eu recebi no telefone é que a gente tinha ganho a causa na Justiça”, contou. O golpe cobrou quase R$ 2 mil. “Era a foto, só que o número era diferente”, lamentou.

No Rio Grande do Sul, uma aposentada perdeu R$ 255 mil após conversar com uma suposta advogada chamada “Leandra”. “Acho que eu fiz mais ou menos uns nove depósitos”, relatou.

A verdadeira Leandra Wichmann explicou que os criminosos tiraram prints da procuração no processo e falsificaram comprovantes.

A Polícia Federal apura a relação do esquema com facções criminosas. Em julho, Henrique “Oliver” Vargas da Silva foi preso no Espírito Santo, suspeito de vender logins e senhas por até R$ 200.

Agora, a fraude ficou ainda mais sofisticada. “Nós já tivemos casos em que o criminoso pegou a voz do advogado e replicou com inteligência artificial”, alertou Ana Tereza Basílio. Além da clonagem de voz, os golpistas simulam números de telefone reais.

Para tentar barrar as invasões, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) vai adotar, em novembro, uma nova autenticação de acesso. “A gente sai do login e senha e entra para um acesso com autenticador no aparelho telefônico”, explicou o conselheiro João Paulo Schoucair.

Os advogados recomendam atenção redobrada. “A orientação sempre é: ligue para o seu advogado”, reforçou Leandra Wichmann.

“O processo judicial demora meses, anos”, lembrou Eduardo Gasiglia. Segundo ele, “o pagamento do processo é feito em juízo e só liberado por alvará”.

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Foto: José Cruz/Agência Brasil