COP-30: fundo florestal perde apoio de Alemanha, Espanha, EUA e Reino Unido
Governo brasileiro esperava reforço financeiro para iniciativa que prevê US$ 25 bilhões em investimentos sustentáveis
Da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 09/11/2025 às 07:50 | Atualizado em: 09/11/2025 às 07:54
A Alemanha, a Espanha, o Reino Unido e os Estados Unidos não anunciarão aportes ao Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF, na sigla em inglês) durante a COP-30, em Belém.
A decisão frustra parte das expectativas do governo brasileiro, durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, que esperava reforços internacionais para impulsionar a principal iniciativa de financiamento climático do país.
O TFFF foi lançado pelo presidente Lula da Silva (PT) como uma plataforma de investimentos voltada à preservação ambiental e ao desenvolvimento sustentável de economias florestais.
A princípio, o Brasil já aportou US$ 1 bilhão, mas o modelo foi concebido para operar com US$ 25 bilhões em recursos públicos internacionais.
A equipe econômica do governo contava com anúncios durante a COP-30. Na sexta-feira (7.nov.2025), no entanto, o chanceler alemão Friedrich Merz informou que a Alemanha não anunciará aporte “neste primeiro momento”. Disse que o país contribuirá futuramente, mas sem definir valores nem prazos, e prometeu uma quantia “considerável”.
A Espanha, por sua vez, optou por direcionar 45 milhões de euros a outros mecanismos climáticos — o Fundo de Adaptação, o Fundo de Perdas e Danos e o Mecanismo de Observações Meteorológicas da Organização Mundial de Meteorologia. Nenhum valor, contudo, foi destinado ao TFFF, conforme confirmou o presidente Pedro Sánchez.
Além da Alemanha e da Espanha, Estados Unidos e Reino Unido também informaram que não farão anúncios de aportes ao fundo florestal durante a conferência. A Holanda ainda avalia se participará da iniciativa.
Segundo o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, o TFFF soma até o momento US$ 5,58 bilhões em compromissos internacionais, dos quais 64% (US$ 3,577 bilhões) estão condicionados a “critérios específicos” ou “determinadas circunstâncias” que não foram detalhadas.
Entre os países que já destinaram recursos estão:
- Noruega – US$ 3 bilhões para os próximos 10 anos, sob condições específicas;
- França – US$ 577 milhões até 2030, conforme determinadas circunstâncias;
- Indonésia – US$ 1 bilhão;
- Brasil – US$ 1 bilhão;
- Portugal – US$ 1 milhão.
Apesar das incertezas, o governo brasileiro mantém o discurso de que o fundo será peça central na política climática e de bioeconomia do país, com o objetivo de atrair investimentos privados e ampliar a cooperação internacional em torno da preservação das florestas tropicais.
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Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
