Fundo Florestas de Lula captou US$ 5 bilhões em 12 horas
Entre os signatários figuram 34 países das bacias do Amazonas, do Congo e do Bornéu-Mekong, com 90% da cobertura de florestas
Iram Alfaia, do BNC Amazonas em Brasília
Publicado em: 06/11/2025 às 20:21 | Atualizado em: 06/11/2025 às 23:01
O Fundo de Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), lançado pelo presidente Lula da Silva nesta quinta-feira, 6 de novembro, tem o apoio de 53 países e mais de U$$ 5 bilhões para investir na preservação das coberturas vegetais.
De acordo com o Ministério das Relações Exteriores, entre signatários figuram 34 países das bacias do Amazonas, do Congo e do Bornéu-Mekong, que em conjunto abrigam mais de 90% da cobertura de florestas tropicais e subtropicais em países em desenvolvimento.
“Somam-se a eles outros 18 países e a União Europeia, entre os quais potenciais investidores da iniciativa”, diz comunicado do Itamaraty.
O Brasil anunciou que investirá US$ 1 bilhão e a Indonésia vai aportar mais US$ 1 bilhão ao mecanismo.
Já a Noruega se comprometeu, com condições, a investir US$ 3 bilhões até 2035.
Portugal anunciou aporte de EUR 1 milhão e a França indicou que, condicionalmente, poderia investir 500 milhões de euros até 2030.
A Cúpula do Clima de Belém, que marca o início da capitalização do TFFF, registra, até o momento, um potencial total de aproximadamente US$ 5,5 bilhões em investimentos anunciados.
Recompensa
De acordo com o Itamaraty, estruturado com base em recursos públicos e privados, o TFFF realizará investimentos cujos rendimentos gerarão uma fonte previsível, permanente e de larga escala para recompensar os países que comprovarem a conservação de suas florestas.
“As florestas valem mais em pé do que derrubadas e deveriam integrar o PIB dos nossos países. Pela primeira vez na história, os países do Sul Global terão protagonismo em uma agenda de florestas”, disse Lula durante o lançamento do fundo.
O governo diz que o TFFF cria um novo modelo de financiamento climático: países que preservam as florestas tropicais serão recompensados financeiramente por meio de um fundo de investimento global.
Enquanto isso, os investidores irão recuperar os recursos investidos, com remuneração compatível com as taxas médias de mercado.
“Na prática, o fundo cria uma nova economia baseada na conservação, tornando a floresta em pé uma fonte de desenvolvimento social e econômico. Os investidores não farão doações.
Em vez disso, terão retornos ao mesmo tempo em que contribuem para a preservação florestal e a redução de emissões de carbono”, diz o Planalto.
São signatários: Alemanha, Antígua e Barbuda, Armênia, Austrália, Áustria, Bélgica, Bolívia, Brasil, Burkina Faso, Camboja, Canadá, China, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Dinamarca, Dominica, Emirados Árabes Unidos, Equador, Finlândia, França, Gana, Guiana, Guiné, Guiné-Bissau, Honduras, Indonésia, Irlanda, Japão, Libéria, Madagascar, Malásia, México, Mianmar, Moçambique, Mônaco, Nigéria, Noruega, Países Baixos, Panamá, Papua-Nova Guiné, Peru, Portugal, Reino Unido, República Democrática do Congo, Ruanda, São Tomé e Príncipe, Serra Leoa, Sudão do Sul, Suécia, Suriname, Zâmbia e a União Europeia.
Foto: Rafa Neddermeyer/COP30 Brasil Amazônia/PR
