Eduardo Braga marca convenção sem PT de Lula
Federação de PT, PV e PCdoB fica fora do ato do senador do MDB e mostra desconforto com centrão no Amazonas.
Neuton Corrêa, da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 13/07/2026 às 13:22 | Atualizado em: 13/07/2026 às 13:23
A convenção que oficializará a candidatura do senador Eduardo Braga (MDB) à reeleição, marcada para o próximo dia 25 de julho, no Clube do Trabalhador do Sesi, em Manaus, terá uma ausência politicamente significativa: a federação Brasil da Esperança, formada por PT, PV e PCdoB.
Embora o apoio formal da federação à chapa encabeçada por Omar Aziz (PSD) e Eduardo Braga permaneça preservado, o ato de homologação reunirá apenas MDB, PSD e Republicanos.
Isso evidencia o distanciamento entre o núcleo político do centrão e os partidos de esquerda na reta final da montagem das chapas.
O convite da campanha de Braga confirma que a convenção conjunta será exclusiva das três legendas.
No evento também serão homologadas a candidatura de Omar Aziz ao Governo do Amazonas e as chapas proporcionais dos partidos aliados.
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Hora controversa
A ausência da federação ocorre justamente no momento em que o PT enfrenta um dos seus maiores impasses nesta eleição.
O partido reivindicava indicar um candidato ao Senado. Membros da sigla defendiam o nome do ex-deputado federal Marcelo Ramos, que já vinha em pré-campanha.
A pretensão, porém, encontrou resistência do próprio Braga. Ele se articulou para permanecer como único candidato ao Senado dentro da aliança liderada por Aziz e Lula.
Nos últimos dias, a discussão foi transferida para Brasília, onde a direção nacional do PT passou a analisar a situação diante do impasse criado no Amazonas.
Apoio formal, militância dividida
Na prática, o cenário desenha uma divisão entre o apoio institucional e a mobilização política da esquerda.
A tendência é que Braga mantenha o apoio formal da federação de esquerda, garantindo a composição eleitoral da chapa, com seus efeitos sobre tempo de propaganda e participação na estrutura da campanha.
Nos bastidores, entretanto, cresce entre petistas e comunistas a disposição de concentrar a militância em outra candidatura.
O nome que vem sendo citado é o do advogado e liderança indígena Isael Munduruku, pré-candidato ao Senado do Amazonas pelo partido Rede Sustentabilidade.
Reconhecido pela atuação jurídica em defesa dos povos indígenas, especialmente na consolidação do Parque das Tribos, em Manaus, Isael tornou-se uma das principais lideranças da chamada “bancada do cocar”.
Trata-se de um movimento nacional que busca ampliar a representação indígena nos espaços de poder.
Embora o Rede não integre a federação, dirigentes e militantes de partidos de esquerda discutem apoiar sua candidatura como forma de preservar uma identidade política própria durante a campanha.
Petista em silêncio
Procurado pelo BNC Amazonas nesta segunda-feira (13 de julho), Marcelo Ramos preferiu não comentar sua exclusão da disputa ao Senado.
Segundo ele, permanecerá em silêncio enquanto avalia divulgar uma nota pública ainda neste dia.
A posição reforça o clima de desconforto dentro do PT, que já vinha demonstrando insatisfação com a condução das negociações para composição da chapa majoritária.
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Confronto interno
Nos últimos meses, episódios envolvendo militantes petistas e aliados de Braga, inclusive durante agendas do presidente Lula no Amazonas, no fim de maio, já haviam exposto publicamente o desgaste entre os grupos.
Agora, a exclusão da federação na convenção de Braga transforma um detalhe de organização partidária em mais um sinal das dificuldades de convivência entre o bloco de centro que lidera a candidatura de Aziz e os partidos de esquerda que, embora permaneçam formalmente na aliança, ainda buscam espaço político na campanha.
Foto: BNC Amazonas
