Indígenas andinos chegam à COP-30 em caravana que percorreu 3 mil quilômetros de barco
Lideranças percorrem o Rio Amazonas para levar à COP-30 mensagens por justiça climática
Gabriel Ferreira, enviado do BNC Amazonas à COP-30
Publicado em: 10/11/2025 às 17:20 | Atualizado em: 10/11/2025 às 17:20
Com a proposta de realizar uma jornada decolonial, inversa à expedição feita no Rio Amazonas desde a região dos Andes pelos espanhóis Francisco de Orellana e Gonzalo Pizarro, indígenas de povos do Peru, Colômbia e Equador percorreram 3 mil quilômetros durante 31 dias para participar da COP-30, em Belém (PA).
Chamada de Flotilla Amazônica Yaku Mama, mais de 60 lideranças indígenas desembarcaram na capital paraense com mensagens pelo fim da exploração de combustíveis fósseis na Amazônia e pela justiça climática.
Um dos organizadores da Flotilla, Leo Cerda, indígena do povo Kichwa, da província de Napo, no Equador, disse ao BNC Amazonas que a mensagem é de que “as soluções das demandas das realidades que estão vivendo nossos territórios amazônicos, que já estão sofrendo essa crise climática, vêm de nós, e que as vozes dos povos indígenas têm que ser escutadas nas mesas de negociações”.
Além disso, Leo destacou ser preciso garantir “os direitos dos povos indígenas, de consulta prévia, livre e informada, de financiamento direto, de ter mecanismos próprios dentro dos mecanismos já existentes de financiamento, como o Fundo Global Climático, para que os povos indígenas possam ter acesso a esse financiamento para a adaptação nos territórios”.
Ele também cobrou ação dos Estados para mitigação dos efeitos causados pelas mudanças climáticas.
“Que os Estados se comprometam em entregar os recursos para mitigação dos nossos países, que estão nestes territórios tão frágeis como é a Amazônia”, disse.
Para o líder indígena Pablo Yñuma, do povo Yena, do Peru, a vinda para Belém por meio da Flotilla é uma oportunidade de “usar nossa voz de protesto, todos os povos indígenas, de diferentes países, e poder fazer escutar nossas necessidades e dizer como se pode proteger nossos recursos, nossos territórios, toda nossa biodiversidade dentro dos territórios indígenas que temos”.
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