Marcha das Mulheres Negras volta a Brasília uma década depois
A manifestação acontece 10 anos após a histórica Marcha Nacional de 2015, que levou mais de 100 mil mulheres negras às ruas de Brasília.
Antônio Paulo, do BNC Amazonas em Brasília
Publicado em: 24/11/2025 às 19:05 | Atualizado em: 24/11/2025 às 19:06
A capital do Brasil recebe nesta terça-feira (25 de novembro) a segunda edição da Marcha das Mulheres Negras por Reparação e Bem Viver. A manifestação acontece 10 anos após a histórica Marcha Nacional de 2015, que levou mais de 100 mil mulheres negras às ruas de Brasília.
Dessa forma, nesta edição comemorativa de uma década, são esperadas mulheres de todas as regiões do Brasil e de mais de 40 países.
A programação começa às 9h, com sessão solene no Congresso Nacional, em homenagem à marcha e ao papel decisivo das mulheres negras na democracia brasileira.
A sessão contará com a presença de parlamentares como Benedita da Silva (PT-RJ), Talíria Petrone (Psol-RJ) e Célia Xakriabá (Psol-MG), além de lideranças de movimentos negros.

A partir das 10h, milhares de mulheres marcham pela Esplanada dos Ministérios.
A coordenadora do Odara Instituto da Mulher Negra, Joyce Souza, resume o espírito deste momento:
“A participação política das mulheres negras é parte da nossa agenda de reparação: somos 28% da população, mas apenas 2% do Congresso. Estar presente na marcha é disputar o Estado e afirmar que a democracia só existe conosco”.
Acesso à justiça
Já à noite, às 19h30, representantes do movimento serão recebidas em audiência pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin.
A comitiva levará ao STF a urgência de enfrentar a política de segurança pública no Brasil, especialmente após a recente chacina na Penha, no Rio de Janeiro.
“A audiência com o presidente do STF é uma agenda central para o acesso à justiça, para o direito à vida e para reafirmarmos a nossa recusa em morrer”, diz a professora, historiadora e ativista do Comitê Impulsor Nacional da Marcha das Mulheres Negras, Janira Sodré,
Feira afroempreendedora
Ainda, no decorrer desta terça-feira (25), estará montada, na área externa do Museu Nacional (Esplanada dos Ministérios), a Feira das Ganhadeiras, que mobilizará afroempreendedoras de todas as regiões do país, fomentando a circulação de saberes e economia criativa na marcha.
O nome da feira faz uma homenagem às “Ganhadeiras”, mulheres negras escravizadas ou libertas que sustentaram famílias e comunidades por meio do trabalho nas ruas, comercializando alimentos, serviços e conhecimentos, muitas vezes garantindo, com esse esforço, a compra da própria liberdade e de outras pessoas negras.
Vozes negras
A partir das 15h, na área externa do Museu Nacional, vozes negras ecoam em uma série de shows gratuitos com Larissa Luz – intérprete do jingle oficial “Mete marcha negona, rumo ao infinito” – Luana Hansen, Célia Sampaio e Núbia, Prethaís e Ebony. A programação segue até às 21h30.
A marcha das Mulheres Negras por Reparação e Bem Viver é construída por mulheres negras de todo o Brasil de diferentes gerações, territórios e contextos sociais, além de mulheres afrodescendentes de mais de 40 países.
“Autônoma, coletiva e transnacional, a marcha resgata a força histórica da mobilização de 2015 e atualiza sua agenda a partir dos desafios contemporâneos. Portanto, neste dia 25 de novembro de 2025, mulheres negras de todo o mundo ocupam Brasília para reafirmar a luta por reparação histórica, democracia e Bem Viver”, afirma Naiara Leite, ativista do Comitê Impulsor Nacional da Marcha das Mulheres Negras.
Fotos: divulgação
