Maior devedor de impostos guardava R$ 2 milhões em cash

Refit, de Ricardo Magro, escondia fortuna com fundos e movimentações que somam prejuízo bilionário ao país.

Governo sanciona lei que amplia o Crédito do Trabalhador

Publicado em: 28/11/2025 às 09:05 | Atualizado em: 28/11/2025 às 09:07

O maior devedor de ICMS em São Paulo, o Grupo Refit, guardava R$ 2 milhões em dinheiro vivo e esmeraldas enquanto escondia bilhões por fora do fisco. A Operação Poço de Lobato revelou que o empresário Ricardo Magro usava uma rede com cerca de 50 fundos de investimento para camuflar lucros ilícitos do mercado de combustíveis.

Deflagrada nesta quinta-feira (27), a ação mobilizou 126 mandados de busca e apreensão. Os agentes atingiram pessoas físicas e jurídicas em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Distrito Federal e Bahia. Os principais alvos incluíram fintechs e pelo menos 17 fundos.

Segundo o governo paulista, o esquema envolvia infrações fiscais sucessivas, empresas interligadas e simulação de vendas interestaduais de combustíveis. O objetivo era contornar tributos desde a importação nos portos até a comercialização final em postos.

A Justiça bloqueou ao menos R$ 10,2 bilhões dos investigados. Em dois endereços na capital paulista, as equipes encontraram mais de R$ 2 milhões em espécie. Em Campinas, oito sacos com esmeraldas estavam avaliados em cerca de R$ 11 mil cada.

As investigações estimam um rombo de R$ 26 bilhões aos cofres estaduais e federal. A Receita Federal aponta que os fundos — muitos registrados no exterior, incluindo Delaware, nos Estados Unidos — blindavam patrimônio, ocultavam origem de valores e dificultavam o rastreamento das movimentações.

O mecanismo permitia à Refit sonegar impostos a partir da importação de combustíveis. A cadeia seguia com circulação interna e revenda ao consumidor, sempre com desvios para evitar o pagamento do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços e outras obrigações fiscais.

Saiba mais na Carta Capital.

Leia mais

Foto: José Cruz/Agência Brasil/Arquivo