Balbina é alvo de nova investigação por danos ambientais no Amazonas

Comissão da Verdade apura impactos sociais e ambientais da hidrelétrica, que transformou 2.400 km² de floresta em um cemitério de árvores e ainda afeta milhares de moradores do Uatumã.

Da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 29/11/2025 às 17:38 | Atualizado em: 29/11/2025 às 17:38

A usina hidrelétrica de Balbina, em Presidente Figueiredo (AM), inaugurada em 1987, permanece como um dos símbolos mais controversos da política energética brasileira. É o que revela Carlos Madeiro, colunista do Uol.

Segundo a publicação deste sábado (29), sob suas águas, estendidas por 2.400 km² de floresta alagada no rio Uatumã, repousa um gigantesco cemitério de árvores em decomposição.

Trata-se de um passivo ambiental que, décadas depois, ainda gera emissões expressivas de gases de efeito estufa e prejuízos diretos a cerca de 3.000 moradores.

Para permitir sua construção, o curso do rio Uatumã foi interrompido, provocando profundas alterações no ecossistema da Amazônia Central e afetando comunidades indígenas, ribeirinhas e rurais.

A princípio, a geração de energia começou oficialmente em fevereiro de 1989, com capacidade instalada de 250 MW — considerada baixa em relação ao tamanho da área alagada.

Agora, quase quatro décadas depois, a usina voltou ao centro do debate público. Em agosto, foi criada a Comissão da Verdade de Balbina (CVB), formada por representantes da sociedade civil, pesquisadores e a Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM).

Assim, a comissão instaurou uma investigação independente para apurar responsabilidades, mensurar danos e propor ações de reparação.

“Somente as árvores podres do cemitério emitem a mesma quantidade ou mais metano do que toda a cidade de São Paulo”, afirma Renan Albuquerque, presidente da CVB, professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e autor do livro “Balbina: Vidas Despedaçadas”.

Segundo ele, o impacto climático da hidrelétrica, frequentemente apontada como uma das piores do mundo em relação ao custo socioambiental, permanece subestimado.

Além da comissão, a DPE-AM abriu um procedimento coletivo para investigar violações e reunir relatos de moradores atingidos, muitos dos quais relatam perda de territórios tradicionais, redução de peixes, instabilidade no nível das águas e prejuízos econômicos cumulativos.

Procurada, a Axia Energia — nova denominação da antiga Eletrobras Amazonas GT — afirmou que a operação da hidrelétrica “é devidamente licenciada, atende às normas ambientais e adota as melhores práticas do setor, buscando minimizar os impactos associados às suas atividades”.

Portanto, enquanto os trabalhos da Comissão da Verdade avançam, Balbina volta a ser símbolo de um debate maior: o custo real das hidrelétricas na Amazônia e a necessidade de enfrentar um passivo que segue vivo no coração da floresta.

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Foto: divulgação/Fapeam