Fim de vínculo: Lewandowski demite oficiais da PF envolvidos em tentativa de golpe
Atos desligam Alexandre Ramagem e Anderson Torres da corporação em cumprimento a determinações do STF.
Da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 04/12/2025 às 15:52 | Atualizado em: 04/12/2025 às 16:00
O ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, assinou nesta quarta-feira (3) as portarias que formalizam a demissão de Alexandre Ramagem e Anderson Torres dos quadros da Polícia Federal (PF).
Os atos, que retiram o vínculo empregatício dos ex-servidores com a corporação, cumprem determinações do Supremo Tribunal Federal (STF) relacionadas à condenação de ambos por participação na tentativa de golpe de Estado.
A publicação oficial dos desligamentos vai constar no Diário Oficial da União (DOU) desta quinta-feira (4), consolidando a saída dos dois oficiais da carreira policial federal.
Condenação e situação atual
Alexandre Ramagem, atualmente deputado federal pelo PL do Rio de Janeiro e ex-diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante o governo Jair Bolsonaro, foi um dos condenados pela Primeira Turma do STF a uma pena de 16 anos de prisão.
A situação do ex-diretor da Abin é de foragido da Justiça. Pouco antes de seu julgamento, ele realizou uma viagem de avião a Boa Vista (RR) e, em seguida, seguiu de carro em direção à fronteira com a Guiana ou Venezuela. Atualmente, Ramagem é considerado foragido por estar em território norte-americano.
Anderson Torres, que foi ministro da Justiça e Segurança Pública na gestão Bolsonaro, também teve sua condenação confirmada pela Suprema Corte por envolvimento nos atos golpistas de 8 de janeiro.
Processos disciplinares em curso
Apesar do desligamento formal, a Polícia Federal mantém Processos Administrativos Disciplinares (PADs) em andamento contra Ramagem e Torres. As investigações internas seguem seu curso, apurando as condutas dos ex-servidores no âmbito administrativo.
A legislação atual de segurança impede a divulgação completa dos dados salariais. O Portal da Transparência, por exemplo, mascara o nome de servidores nas planilhas da PF por questões de segurança, impossibilitando a checagem imediata da remuneração mensal que os dois teriam direito antes da demissão.
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Foto: Agência Brasil/reprodução
