Editorial BNC | O ditador de plantão e seu show de horrores

Atuação de Hugo Motta na Câmara expõe autoritarismo, censura, machismo institucional e manobra para favorecer golpistas.

Da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 10/12/2025 às 11:55 | Atualizado em: 10/12/2025 às 11:56

A Câmara dos Deputados, que deveria ser o templo da soberania popular e do debate livre, foi transformada em um palco de espetáculos lamentáveis de autoritarismo e repressão no último dia 9 de dezembro.

Não foi um mero incidente parlamentar, mas um ataque articulado e frontal às prerrogativas democráticas.

E a responsabilidade por essa degradação tem um nome: o presidente da casa, Hugo Motta (Republicanos-PB).

O que assistimos foi a instauração de uma tirania de microfone e cassetete.

A cena da retirada à força do deputado Glauber Braga (Psol-RJ), coagido e expulso do plenário por uma polícia legislativa excessivamente truculenta, já seria um escândalo. Contudo, a crise escalou para algo muito mais grave.

A tríplice arbitrariedade

Agressão à imprensa e a censura da TV Câmara: não bastou a violência contra um parlamentar eleito. A imprensa, testemunha dos fatos, foi enxotada, coagida e, em alguns casos, agredida. E, no ápice do cinismo, o sinal da TV Câmara foi cortado. Motta não queria apenas controlar a casa; ele queria censurar a visão da nação. Isso não é apenas antidemocrático, é um ato de ditadura em miniatura, realizado para que o país não visse o “show de horrores” orquestrado.

O machismo institucionalizado: o tratamento dado às deputadas de oposição, como Benedita da Silva e Fernanda Melchionna, teve um viés lamentável. A interrupção sumária e a desqualificação de suas falas, contrastando com a complacência dada aos deputados alinhados, escancararam um machismo institucional que Hugo Motta não apenas tolera, mas utiliza como ferramenta para silenciar as vozes mais críticas e aguerridas do Congresso.

Os sorrisos e o golpe brando: enquanto tudo isso acontecia, o que se viu na mesa diretora foram risos e sorrisos de satisfação do presidente e de seus pares. A alegria ostensiva diante da violência policial e da censura é a digital moral de um líder que se sente confortável em pisotear as regras. Tudo isso tinha um propósito maior: preparar o terreno para a aprovação, na calada da madrugada, do projeto de dosimetria de penas.

Tratou-se de uma evidente manobra para beneficiar e abrandar as punições dos golpistas de 8 de Janeiro e do chefe da organização criminosa, Bolsonaro.

O contraste vergonhoso

O cinismo de Motta é ainda mais flagrante ao lembrarmos que este mesmo presidente clamou por ordem e respeito quando, meses atrás, extremistas de direita sequestraram a mesa da Câmara por dois dias.

Naquela ocasião, ele exigiu rigor.

Agora, diante de um protesto legítimo contra um projeto imoral, sua resposta é a truculência policial, a censura e a manobra legislativa.

Hugo Motta provou ser um presidente de dois pesos e duas medidas.

Demonstrou, no dia 9 de dezembro, que está disposto a usar a força e a manipulação para perseguir opositores e garantir a pauta de seus aliados.

O Brasil viu a casa do povo ser comandada por um ditador de plantão.

O BNC Amazonas, testemunha dessas arbitrariedades do ditador de plantão, reitera:

A responsabilidade pela degradação da Câmara é unicamente do seu comando. A luta pela democracia não se trava apenas nas urnas, mas na vigilância diária contra a tirania do martelo.

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Fotomontagem: BNC Amazonas