Após ser agredido pela polícia de Hugo Motta, Glauber Braga salva mandato

Acordo foi de última hora

Publicado em: 10/12/2025 às 22:27 | Atualizado em: 11/12/2025 às 00:26

Um acordo articulado horas antes da votação no plenário da Câmara salvou o mandato do deputado Glauber Braga (PSOL-RJ), que recebeu suspensão de seis meses — a segunda punição mais grave prevista.

A mudança de pena foi aprovada por 226 a 220 votos, e a suspensão em si passou por 318 votos a 141, após partidos do Centrão liberarem suas bancadas.

A manobra ocorreu porque congressistas avaliavam que não haveria os 257 votos necessários para cassação, o que deixaria Glauber impune caso a punição máxima fosse mantida.

Glauber era alvo de um processo por agressão a um integrante do MBL, episódio registrado em vídeo.

O caso foi aprovado tanto no Conselho de Ética quanto na CCJ e se arrastava há oito meses.

O deputado alega perseguição política e diz ter reagido a provocações envolvendo sua mãe, que estava doente. Antes da votação, ele chegou a fazer greve de fome e acampar na Câmara.

A sessão ocorreu em clima tenso. Na véspera, Glauber tentou ocupar a cadeira da presidência e foi retirado à força pela Polícia Legislativa, gerando confronto entre parlamentares e seguranças.

Deputados da esquerda registraram boletins de ocorrência por lesão corporal e acusaram o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), de agir com rigor seletivo, já que episódios de motim envolvendo bolsonaristas não tiveram punição.

A decisão ocorre no mesmo dia em que Motta acelerou outros processos: colocou em pauta a cassação de Carla Zambelli (PL-SP), determinou a contagem das faltas de Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que está nos EUA, e abriu processo contra Alexandre Ramagem (PL-RJ), condenado pelo STF e foragido. Também foi aprovado o projeto que reduz penas de condenados pelos atos de 8 de janeiro, ainda pendente no Senado.

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Foto: reprodução/redes sociais