Brasil avança para lago de Itaipu virar polo global de criação de tilápia

Autorização do Paraguai destrava produção em larga escala e abre novo ciclo econômico binacional.

Da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 13/12/2025 às 10:29 | Atualizado em: 13/12/2025 às 10:30

O Brasil deu um passo decisivo para transformar o lago de Itaipu em um dos maiores polos mundiais de aquicultura, após a autorização do Paraguai para a criação de tilápia em larga escala no reservatório binacional.

A medida encerra um impasse histórico e cria as bases para um novo ciclo de investimentos, integração produtiva e geração de renda na fronteira entre os dois países.

Formado com a construção da usina hidrelétrica de Itaipu, no rio Paraná, o lago sempre teve seu uso produtivo limitado por restrições legais, sobretudo no lado paraguaio. Com a nova autorização, abre-se caminho para a formalização de acordos técnicos e regulatórios que permitam a exploração aquícola coordenada, respeitando critérios ambientais e de manejo.

Economia azul ganha escala

A produção de tilápia no lago de Itaipu é vista como um marco para a chamada economia azul, conceito que reúne atividades econômicas baseadas no uso sustentável dos recursos hídricos.

Estudos e projeções do setor indicam que o reservatório possui condições naturais para abrigar uma produção de centenas de milhares de toneladas de pescado por ano, colocando a região entre as maiores do mundo nesse segmento.

A tilápia, espécie amplamente cultivada e com forte aceitação no mercado internacional, desponta como um produto estratégico tanto para o abastecimento interno quanto para exportações. O avanço da aquicultura no lago tende a impulsionar cadeias produtivas associadas, como processamento industrial, logística, fabricação de ração, equipamentos e serviços especializados.

Integração binacional e investimentos

A autorização paraguaia cria um ambiente de maior segurança jurídica para produtores e investidores. No Brasil, a criação de peixes em tanques-rede já é uma atividade consolidada em outros reservatórios, e a expectativa é que o lago de Itaipu passe a atrair grandes projetos empresariais, além de fortalecer cooperativas e produtores locais.

A perspectiva de um polo aquícola binacional também reforça a integração econômica entre Brasil e Paraguai, com potencial para gerar empregos, estimular a inovação tecnológica e ampliar a arrecadação nos municípios do entorno do lago. A atuação conjunta tende a facilitar padrões comuns de licenciamento, fiscalização e rastreabilidade da produção.

Sustentabilidade no centro do debate

Apesar do otimismo econômico, autoridades e especialistas ressaltam que a expansão da aquicultura no lago de Itaipu exigirá monitoramento rigoroso. A criação de uma espécie não nativa demanda controle ambiental permanente para evitar impactos sobre a biodiversidade, a qualidade da água e outros usos do reservatório, como geração de energia, turismo e abastecimento.

A adoção de limites produtivos, tecnologias de baixo impacto e programas de acompanhamento ambiental é apontada como condição central para o sucesso do projeto no longo prazo. O desafio será equilibrar escala produtiva e preservação ambiental em um dos mais importantes ativos naturais e energéticos da América do Sul.

Novo vetor de crescimento

Com a autorização do Paraguai, o lago de Itaipu deixa de ser visto apenas como um reservatório hidrelétrico e passa a ocupar posição estratégica no agronegócio e na aquicultura global. Se implementado dentro de parâmetros técnicos e ambientais sólidos, o projeto pode consolidar um novo vetor de crescimento econômico, com reflexos diretos sobre emprego, renda, exportações e desenvolvimento regional na fronteira Brasil–Paraguai.

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Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil