Adeus, Caçapava, primeiro De Arrascaeta do mundo
Craque de Parintins, Osvaldino “Caçapava” morreu aos 60 anos e deixa legado de futebol artístico que marcou gerações no Amazonas.
Neuton Corrêa, do BNC Amazonas
Publicado em: 18/01/2026 às 21:57 | Atualizado em: 19/01/2026 às 06:07
Antes de Giorgian Daniel De Arrascaeta Benedetti surgir profissionalmente no Uruguai, em 2012, aos 18 anos, ao menos há três décadas seu precursor já brilhava no interior da Amazônia, em Parintins. Pode não ter sido o De Arrascaeta que ajudou o Flamengo a conquistar 17 títulos em seis anos, entre eles três Libertadores e três Brasileirões, mas, no estilo, foi o pioneiro.
Esse jogador era Osvaldino Pereira Nogueira, o Caçapava, que nasceu com a luz do dia de Natal de 1965. Seu talento lhe rendeu, no mundo desportivo da cidade, o tratamento de “Pequeno Príncipe”.
Tal qual Arrascaeta, Caçapava era absoluto no meio-campo. Assim como o uruguaio, tratava a bola com carinho e respeito e a escondia incrivelmente de seus adversários. Também como De Arrascaeta, Caçapava hipnotizava seus marcadores, fingindo-se lento para guardar energia e deixar zaga e goleiro no chão antes de desenhar seus gols.
O Caçapava não fazia gols nem jogadas. Ele as desenhava. Eram pinturas, obras de arte, literalmente.
Assim como Arrascaeta, o Caçapava foi jogador de seleção e, por onde passou, foi campeão: em Parintins, pelo Amazonas, pelo Sul América, pela JAC e pelo Esporte Clube.
Ele resistiu ao tempo. Aos 60 anos, o craque parintinense ainda estava na ativa. Fez sua última grande partida no Natal do ano passado. O jogo reuniu a turma dos 50+, que fez sucesso nos anos 80, 90 e 2000.
Em 2014, na Copa do Mundo, em Manaus, quando assisti ao jogador italiano Pirlo atuar contra a Inglaterra, eu o comparei ao Caçapava, pelo domínio que tinha no círculo central do campo.
Mas, com o passar dos anos, apareceu o craque uruguaio. Aí, a comparação ficou perfeita.
Eu ainda assisti ao Caçapava no Tupizão, nos anos 80. Ele era incrível.
Caçapava fez sua passagem na última quinta-feira, dia 16. Ele deixa saudade e um futebol raro, que ainda há de inspirar futuras gerações em Parintins.
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Foto: divulgação
