Agro bate recorde em 2025 e responde por quase metade das exportações
Setor alcançou US$ 169,2 bilhões em vendas externas, amplia peso regional e consolida protagonismo na balança comercial
Aguinaldo Rodrigues, especial para o BNC Amazonas
Publicado em: 21/01/2026 às 21:30 | Atualizado em: 21/01/2026 às 21:43
O agronegócio brasileiro encerrou 2025 com desempenho histórico no comércio exterior, respondendo por 48,5% de todas as exportações do país.
O setor exportou US$ 169,2 bilhões ao longo do ano, o maior valor já registrado, segundo dados oficiais do governo federal.
O resultado confirma o agronegócio como principal sustentáculo da balança comercial brasileira, mesmo em um cenário internacional marcado por tensões geopolíticas, disputas tarifárias e desaceleração de algumas economias centrais.
Comparativo político: 2022 x 2025
Em 2022, último ano do governo Bolsonaro, as exportações do agronegócio somaram cerca de US$ 159 bilhões, representando aproximadamente 47% das exportações totais do país.
À época, o desempenho foi impulsionado por preços elevados das commodities, especialmente soja e milho, em meio à guerra na Ucrânia e gargalos globais de oferta.
Já em 2025, sob o terceiro mandato do presidente Lula da Silva, o setor ampliou tanto o valor exportado quanto sua participação relativa no comércio exterior.
O crescimento ocorreu em um contexto distinto: queda média de preços internacionais e maior dependência do aumento de volume embarcado, que avançou 3,6% no período.
A diferença entre as gestões de Lula e Bolsonaro evidencia mudanças no ambiente de política externa e comercial.
Enquanto o governo Bolsonaro apostou fortemente em alinhamentos ideológicos e manteve relação tensa com a União Europeia, o atual governo priorizou a reaproximação diplomática, a ampliação de mercados e o reposicionamento do Brasil em fóruns ambientais, o que contribuiu para reduzir barreiras e ampliar destinos do agro.
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Volume maior compensou queda de preços
Em 2025, o crescimento das exportações foi sustentado principalmente pelo aumento do volume embarcado, que compensou uma queda média de 0,6% nos preços internacionais dos produtos agropecuários.
Esse movimento garantiu ao setor um superávit de US$ 149,07 bilhões, reforçando o papel do agronegócio no equilíbrio das contas externas e na entrada de divisas no país.
Agronegócio em números (comparativo)
2022
Exportações: cerca de US$ 159 bilhões
Participação nas exportações totais: ~47%
Cenário predominante: preços altos, menor diversificação de mercados
2025
Exportações: US$ 169,2 bilhões
Participação nas exportações totais: 48,5%
Cenário predominante: maior volume, ampliação de mercados e diplomacia ativa
Recorte regional das exportações do agro
A concentração regional das exportações do agronegócio manteve o padrão histórico, mas com ampliação gradual da participação de regiões fora do eixo tradicional.
Centro-Oeste
Permanece como principal polo exportador do agronegócio brasileiro, liderado por Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul, com forte peso da soja, milho e carnes.
Sul
Segue relevante na exportação de carnes, grãos e produtos industrializados do agro, com destaque para Paraná e Rio Grande do Sul.
Sudeste
Mantém protagonismo em café, açúcar, etanol e produtos florestais, além de concentrar parte da logística e do processamento.
Norte e Nordeste
Embora ainda tenham participação menor no valor total exportado, registraram crescimento acima da média nacional, impulsionados por grãos no Matopiba, carne bovina, cacau e produtos florestais, além da ampliação de rotas logísticas e portos.
Principais produtos e destinos
A pauta exportadora do agronegócio em 2025 manteve forte concentração em produtos tradicionais.
A soja liderou, seguida por carnes bovina, suína e de frango, café, produtos florestais, açúcar e etanol.
A China permaneceu como principal destino das exportações brasileiras do agro, seguida pela União Europeia, Estados Unidos, países do Sudeste Asiático e mercados do Oriente Médio.
Peso estratégico e desafios futuros
O desempenho do agronegócio em 2025 reforça sua centralidade na economia brasileira, mas também evidencia a dependência estrutural do país do setor primário-exportador.
Analistas avaliam que o desafio dos próximos anos será avançar na agregação de valor, reduzir riscos ambientais e manter competitividade em um cenário global cada vez mais sensível a critérios climáticos, sociais e geopolíticos.
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Foto: João Garrido/CMCG
