Joenia Wapichana deixa Funai para disputar as eleições

Primeira mulher indígena na presidência da Funai, ela sai do cargo para concorrer ao Legislativo em 2026.

Publicado em: 02/02/2026 às 20:30 | Atualizado em: 02/02/2026 às 20:30

A presidente da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), Joenia Wapichana, confirmou nesta segunda-feira (2/2) que deixará o cargo em março. O anúncio foi feito durante agenda oficial na Terra Indígena Ianomâmi, em Roraima. Joenia, que está à frente do órgão há três anos, foi a primeira mulher indígena a presidir a instituição.

Motivação e sucessão

A saída atende à legislação eleitoral, que exige a desincompatibilização de ocupantes de cargos públicos até seis meses antes do pleito (prazo final em 4 de abril).

Próximo passo: segundo apuração do g1, Joenia pretende retomar sua cadeira na Câmara dos Deputados, cargo que ocupou entre 2019 e 2022.

Indicação: ela indicará ao presidente Lula a antropóloga Mislene Metchacuna, do povo Tikuna, para assumir a presidência da Funai.

Reformas no governo

A movimentação de Joenia faz parte de um cenário de mudanças mais amplo no primeiro escalão.

Pelo menos 20 ministros do governo Lula devem deixar seus postos nos próximos meses para a disputa eleitoral, incluindo:

Fernando Haddad (Fazenda);

Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais);

Camilo Santana (Educação).

Trajetória de pioneirismo

Indígena do povo Wapichana e advogada, Joenia acumula marcos históricos no Brasil:

Primeira mulher indígena advogada do país;

Primeira indígena eleita deputada federal;

Primeira advogada indígena a realizar sustentação oral no plenário do STF (no caso Raposa Serra do Sol).

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Sob sua gestão, a Funai passou por uma mudança estrutural inédita, deixando o Ministério da Justiça para integrar o recém-criado Ministério dos Povos Indígenas.

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Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência