PL do Amazonas ignora romaria ‘beija-anel’ de Bolsonaro na prisão

Aliados de nove estados passam pelo "comitê" na Papuda, mas nomes do Amazonas mantêm distância

Da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 19/02/2026 às 19:12 | Atualizado em: 19/02/2026 às 19:21

A movimentação de aliados de Bolsonaro rumo à prisão da Papuda, em Brasília, que está sendo chamado de “comitê”, tornou-se um novo ritual político no bolsonarismo.

Segundo reportagem do portal ICL Notícias, lideranças de ao menos nove estados já foram ou articulam visitas ao presidiário para legitimar candidaturas e destravar disputas internas.

Entre os estados citados estão São Paulo, Goiás, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso, Bahia e Distrito Federal.

Nomes de peso já fizeram o movimento. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, esteve entre os que buscaram alinhamento.

De Goiás, o senador Wilder Morais. Do Rio de Janeiro, o senador Carlos Portinho. Em Minas, o deputado Nikolas Ferreira. No Paraná, o deputado Filipe Barros. Em Santa Catarina, o senador Jorge Seif. Em Mato Grosso, o senador Wellington Fagundes.

O gesto tem peso simbólico claro: reforça lealdade, sinaliza alinhamento e, sobretudo, demonstra quem tem acesso direto ao principal líder da ultradireita.

No Amazonas, porém, o silêncio chama atenção.

Nem o deputado federal Alberto Neto, apontado como o nome mais competitivo do PL ao Senado nas pesquisas divulgadas pelo BNC Amazonas, nem o presidente estadual do partido, o ex-senador Alfredo Nascimento, fizeram movimento semelhante.

A ausência se torna ainda mais eloquente quando se observa que outros estados utilizam a visita como instrumento de arbitragem interna.

No Amazonas, onde há incertezas sobre a candidatura ao governo de Maria do Carmo Seffair, que já desistiu de disputar o cargo em 2022, não houve gesto público recente de chancela do núcleo nacional do partido.

Sem a presença de lideranças como Valdemar Costa Neto, Flávio ou Michelle Bolsonaro no estado para reforçar apoio, o PL amazonense parece apartado da estratégia nacional.

PL órfão ou cálculo estratégico?

A leitura política inevitável é incômoda: o PL do Amazonas não considera necessário buscar a bênção de Bolsonaro ou não dispõe do mesmo prestígio que lideranças de outras unidades da federação?

Até o momento, apenas o vereador Alexandre Salazar aparece nas pesquisas com eleição virtualmente consolidada à Câmara, o que reforça a percepção de que o partido pode preservar musculatura proporcional, mas enfrenta incertezas no campo majoritário.

Enquanto em nove estados a visita à Papuda virou senha de legitimação política, no Amazonas o partido permanece distante do ritual que, no bolsonarismo, funciona como selo de autenticidade.

A reportagem completa do ICL Notícias pode ser lida no link.

Foto: divulgação