Tragédia da lancha em Manaus: vídeo revela busca por likes em vez de socorro
Enquanto passageiros de outra lancha filmavam tragédia em busca de likes, socorro real só veio minutos depois com barco de recreio.
Aguinaldo Rodrigues, especial para o BNC Amazonas
Publicado em: 26/02/2026 às 09:04 | Atualizado em: 26/02/2026 às 12:19
O 13º dia após o naufrágio da lancha Lima de Abreu XV no rio Amazonas traz à tona um novo componente de horror para as famílias de Nova Olinda do Norte.
Um vídeo inédito, que circula nos últimos dias nas redes sociais, revela que o momento exato em que a embarcação foi tragada pelo rio foi registrado por ocupantes de uma outra lancha.
A gravação expõe uma realidade perturbadora: a preferência pelo registro no celular em detrimento do socorro imediato às vítimas.
Enquanto as imagens captavam o desespero de quem estava na lancha afundando, o socorro efetivo só foi prestado tempos depois e ainda assim por um barco de recreio que passava pelo local, e não por parte do poder público.
Péssimo comportamento
A omissão de socorro, comportamento recorrente em tempos de busca frenética por engajamento na internet, é o ponto central da crítica do BNC Amazonas neste 13º dia de vigilância sobre a tragédia.
Para os familiares dos desaparecidos, o vídeo é uma prova dolorosa de que a solidariedade foi vencida pela “cultura do like”.
Especialistas jurídicos lembram que a omissão é crime previsto no Código Penal, agravado quando resulta em morte.
Se havia proximidade para filmar com nitidez, havia proximidade para agir.
Vácuo oficial e resistência
Enquanto o debate sobre a ética ganha força, permanece o silêncio sobre o içamento da lancha. Até esta quinta-feira (26 de fevereiro), não há posição oficial sobre o envio de estrutura para isso.
A esperança das famílias, castigada pelo tempo, agora é ferida pela constatação de que o naufrágio ocorreu sob os olhos de câmeras que escolheram registrar, mas não resgatar.
O BNC Amazonas mantém a vigilância sobre as autoridades e sobre a conduta de quem navega na região. A tragédia da “sexta-feira 13” prova que o estado sofre não apenas com a falha na fiscalização, mas com a erosão da empatia pela vida.
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Foto: reprodução/vídeo
