Oitavo dia: famílias decidem assumir buscas e até retirar lancha do fundo do rio
Parentes de desaparecidos contestam chefe do Bombeiros e revelam captação de sinal de celular vindo do fundo do rio.
Aguinaldo Rodrigues, especial para o BNC Amazonas
Publicado em: 21/02/2026 às 12:40 | Atualizado em: 21/02/2026 às 12:40
O sábado (21 de fevereiro) amanheceu com um grito de revolta das famílias de Nova Olinda do Norte ao entrar no oitavo dia de buscas pelos desaparecidos da tragédia da lancha Lima de Abreu XV.
O sentimento de familiares e amigos das vítimas é que o naufrágio deixa de ser apenas um acidente para se tornar um símbolo da falha da fiscalização e da estrutura de resgate no Amazonas.
Exaustas de esperar por respostas que não vêm, as famílias anunciaram a disposição de custear, com recursos próprios, o içamento da embarcação e a contratação de mergulhadores e equipamentos privados.
A decisão drástica ocorre em meio a revelações perturbadoras.
Familiares relatam que sinais de celular iPhone, pertencente a passageiros desaparecidos, teriam sido captados no perímetro de naufrágio da lancha, que repousa a 50 metros de profundidade.
A informação, que deveria ser um norte técnico para as autoridades, serve apenas para ampliar a angústia de quem vê o tempo passar sem que a embarcação seja retirada do fundo do rio.
Estrutura sob crítica
A vinda de mergulhadores e equipamentos de reforço de São Paulo agora serve de elemento de crítica: como o estado com a maior bacia hidrográfica do mundo, onde o rio é a principal rua, não possui autonomia técnica e equipamentos de ponta para resgates desta magnitude?
As famílias reconhecem o suor das equipes em campo, mas criticam a falta de investimentos em tecnologias de profundidade.
Justiça e prevenção: onde está o culpado?
A indignação das famílias foca em quatro pilares de cobrança imediata:
- – Içamento urgente : a falta de informação de que a lancha vai ser retirada é vista como uma barreira para a localização dos corpos.
- – Prisão do comandante : o paradeiro de José Pedro da Silva Gama permanece um mistério, alimentando a sensação de impunidade.
- – Lista real de passageiros : a divergência entre os nomes oficiais e os relatados por parentes impede a precisão sobre quantos realmente sumiram no rio.
- – Fiscalização preventiva : o clamor por buscas intensas é igualado ao pedido por fiscalização rigorosa nos portos de Manaus para evitar que lanchas superlotadas continuem partindo à própria sorte.
A tragédia no encontro das águas não pode ser tratada como fatalidade.
Se os responsáveis pelo setor não foram capazes de prevenir, que não impeçam que as famílias, mesmo em meio ao luto e à “vaquinha” para bancar mergulhadores, busquem a dignidade de enterrar seus mortos.
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Foto: reprodução de imagens da internet
