Fraudes no INSS levam PF a indiciar ‘Careca’, ex-presidente e mais 45

O esquema de descontos indevidos em aposentadorias e outros benefícios pode ter rendido R$ 6 bilhões aos criminosos

Publicado em: 14/07/2026 às 19:00 | Atualizado em: 14/07/2026 às 19:02

A Polícia Federal indiciou nesta terça-feira (14) 48 pessoas por suspeita de participação em um esquema de descontos ilegais em aposentadorias e benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Entre os investigados estão o ex-presidente do instituto, Alessandro Antônio Stefanutto, o ex-procurador-geral Virgílio Antônio Ribeiro Filho e Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”.

O indiciamento integra o primeiro relatório final da Operação Sem Desconto, que investiga cobranças não autorizadas feitas por entidades associativas diretamente nos benefícios de aposentados e pensionistas. Segundo a PF, o esquema pode ter causado um prejuízo de cerca de R$ 6 bilhões aos segurados.

As investigações apontam que Stefanutto teria recebido propinas de até R$ 250 mil por mês em troca de suposta omissão na fiscalização das entidades. O relatório também indica que parte dos pagamentos teria sido realizada por meio de empresas de fachada.

A PF atribui à Confederação Nacional de Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer) um papel central no esquema, classificando a entidade como organização criminosa. O presidente da confederação, Carlos Roberto Ferreira Lopes, também foi indiciado.

Leia mais

INSS: operação da PF mira quem se declara indígena sem ser

Entre os crimes investigados estão corrupção ativa e passiva, organização criminosa, lavagem de dinheiro e inserção de dados falsos em sistemas públicos.

O relatório foi encaminhado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, que deverá enviar o caso à Procuradoria-Geral da República (PGR), responsável por decidir se apresentará denúncia contra os investigados.

A Polícia Federal informou ainda que as investigações continuam e que novas fases da operação podem alcançar outras entidades e suspeitos.

Leia mais no Metrópoles

Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado