‘Braço direito’ de Guedes que articulou golpe contra ZFM quer comandar a Fazenda

Site Metrópoles revelou que Daniella Marques já se movimenta para comandar a Fazenda, caso Flávio Bolsonaro chegue à Presidência

‘Braço direito’ de Guedes que articulou golpe contra ZFM quer comandar a Fazenda

Neuton Corrêa, da Redação do BNC AMAZONAS

Publicado em: 13/03/2026 às 05:46 | Atualizado em: 13/03/2026 às 05:58

O cenário político em Brasília começa a desenhar contornos preocupantes para o futuro da Zona Franca de Manaus (ZFM). Daniella Marques, ex-presidente da Caixa e considerada a “pupila” de Paulo Guedes é o nome que o Distrito Industrial precisa ficar de olho. 

Ela já movimenta os bastidores para assumir o Ministério da Fazenda em uma eventual futura gestão de Flávio Bolsonaro (PL).

Para o Amazonas, o nome de Daniella não traz boas recordações. Pelo contrário, evoca um dos períodos de maior insegurança jurídica e ataques diretos às vantagens comparativas do modelo.

A “porta-voz” que virou as costas

Em fevereiro de 2022, Daniella Marques, então secretária de Produtividade e Competitividade, esteve em Manaus e foi recebida com a pompa de uma aliada.

Na época, apelidada de “ministra da Indústria”, ela empenhou sua palavra aos conselheiros do CAS e a lideranças locais, prometendo ser a “porta-voz” da ZFM dentro do Ministério da Economia nos debates sobre o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).

Entretanto, o compromisso durou pouco. Logo após as promessas de proteção, Daniella participou ativamente da cozinha do ministério que elaborou o decreto de redução linear do IPI. A medida, capitaneada por seu mentor Paulo Guedes, foi um tiro no coração da competitividade de Manaus, retirando o diferencial tributário que sustenta os empregos no estado.

Memória seletiva e o “senso de missão”

Segundo coluna de Igor Gadelha, no Metrópoles, Daniella encara o retorno à Esplanada como uma “missão”. 

O problema é que a gestão Paulo Guedes tentou acabar com a ZFM. Foi o que disse há um ano o atual superintendente da Suframa, Bosco Saraiva.

Nesse sentido, a “missão” anterior do grupo de Daniella ficou clara: tentar sufocar o modelo ZFM sob a falácia de uma abertura econômica que não respeita as particularidades regionais.

Na época dos ataques de Guedes, a Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (FIEAM) chegou a emitir notas duras de repúdio, classificando as justificativas do governo — do qual Daniella era peça-chave — como “falácias”. O sentimento era de traição, já que o discurso público de apoio à Amazônia não se traduzia nos atos oficiais assinados em Brasília.

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O alerta

A disposição de Daniella Marques em voltar ao comando da economia brasileira, desta vez com a chancela de Flávio Bolsonaro, acende o sinal vermelho no PIM.

Se como secretária ela foi incapaz de segurar a caneta de Guedes contra o Amazonas — ou pior, se ajudou a guiá-la —, como Ministra da Fazenda ela teria poder total para concluir o projeto de desmonte que o governo anterior iniciou.

A autonomia que Daniella exige para aceitar o posto é, para o setor industrial amazonense, um prenúncio de novos embates judiciais e instabilidade econômica.

A história recente mostra que, sob o comando dos discípulos de Guedes, a Zona Franca de Manaus não tem aliados, apenas “porta-vozes” de conveniência.

Foto: Washington Costa/ME