EUA abrem nova investigação contra o Brasil e avaliam novas tarifas
Governo de Donald Trump alega suspeitas de uso de trabalho forçado no setor agrícola; medida pode resultar em novas barreiras comerciais contra produtos brasileiros
Da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 13/03/2026 às 09:34 | Atualizado em: 13/03/2026 às 09:34
O Brasil, mais uma vez, se tornou alvo de investigações comerciais por parte do governo do presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump.
O processo, conduzido pela Casa Branca, poderá resultar na imposição de novas tarifas de importação sobre produtos brasileiros, especialmente ligados ao setor agrícola.
Desta vez, o argumento utilizado pelas autoridades americanas é a suspeita de que exportações brasileiras estariam prejudicando a concorrência internacional por supostamente se beneficiarem do uso de trabalho forçado em suas cadeias produtivas.
Segundo o governo dos EUA, essa prática poderia gerar uma vantagem de custo artificial para produtores brasileiros.
Essa não é a primeira vez que o Brasil enfrenta questionamentos semelhantes por parte de Washington. Em abril de 2025, o governo americano já havia aberto um processo para examinar diferentes práticas comerciais brasileiras. A
pesar de, a partir de setembro daquele ano, algumas tarifas impostas anteriormente terem sido retiradas, cerca de 22% do fluxo comercial entre Brasil e Estados Unidos ainda permanece afetado por sobretaxas.
Trabalho forçado
Segundo comunicado das autoridades americanas, as novas investigações deverão avaliar se políticas e práticas adotadas pelos países analisados — incluindo o Brasil — falham em impedir a entrada em seus mercados de bens produzidos com trabalho forçado.
Caso isso seja comprovado, tais práticas poderiam ser consideradas “irrazoáveis ou discriminatórias” e capazes de restringir o comércio dos Estados Unidos.
O governo americano argumenta que agricultores dos EUA enfrentariam competição desigual diante da agricultura brasileira.
Na visão de Washington, um dos fatores que poderia tornar os produtos brasileiros mais competitivos seria justamente o uso de trabalho em condições ilegais — uma acusação que entidades do setor agrícola brasileiro rejeitam.
O embaixador dos Estados Unidos para o Comércio, Jamieson Greer, afirmou que a investigação busca verificar se governos estrangeiros estão adotando medidas suficientes para impedir a circulação de produtos ligados ao trabalho forçado.
“Por muito tempo, trabalhadores e empresas americanas foram forçados a competir com produtores estrangeiros que podem ter uma vantagem de custo artificial obtida com o flagelo do trabalho forçado”, declarou.
Para justificar a abertura da investigação, a Casa Branca recorreu à chamada Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, mecanismo utilizado pelos EUA para reagir a práticas consideradas injustas no comércio internacional.
Leia mais no ICL Notícias.
Leia mais
EUA propõem que Brasil receba estrangeiros presos em operações contra crime organizado
Foto: Ari Dias/Governo do Paraná
