Mulheres indígenas do Amazonas e Tocantins fazem ‘reconhecimento’ da Câmara
Pré-candidatas do Amazonas e Tocantins realizam visita simbólica ao Congresso para fortalecer a presença indígena e feminina na política nacional.
Antônio Paulo, do BNC Amazonas em Brasília
Publicado em: 08/04/2026 às 15:40 | Atualizado em: 08/04/2026 às 16:07
Em meio à intensa mobilização do Acampamento Terra Livre (ATL), esses dias, em Brasília, duas lideranças indígenas em ascensão política percorreram, nesta quarta-feira (8 de abril), os corredores da Câmara dos Deputados.
O gesto de Vanda Witoto e Narubia Werreria é simbólico: reconhecer o espaço que pretendem ocupar em breve, caso sejam eleitas deputadas federais pelo Amazonas e Tocantins respectivamente.
Desse modo, a visita marca mais do que um passeio institucional. É a antecipação de uma disputa que busca ampliar a presença indígena, especialmente feminina, no Congresso Nacional.
A primeira a comentar a experiência foi Vanda Witoto, pré-candidata pelo Amazonas. Para ela, conhecer a estrutura da Câmara representa um passo fundamental na construção de um projeto político coletivo.
“Conhecer essa casa é muito importante, primeiro que é a casa do povo, então deve receber o povo. Esse grande movimento que estamos fazendo, de ampliar essa bancada indígena aqui, é muito importante para a gente saber como funcionam os bastidores da política”, declarou.
Representatividade
Witoto destaca que a presença ainda é limitada. Atualmente, apenas duas mulheres indígenas, eleitas em 2022, ocupam cadeiras na Câmara: Sônia Guajajara (PSOL-SP) e Célia Xakriabá (PSOL-MG).
Para Vanda Witoto, isso reforça a necessidade de ampliar essa representatividade. Por isso, sua candidatura surge com esse objetivo: transformar o espaço institucional em um reflexo mais fiel da diversidade brasileira.
Filiação ao MDB
A liderança amazonense também tem enfrentado críticas após sua filiação ao MDB (do senador Eduardo Braga), tradicionalmente associado ao centro-direita. Questionada sobre a mudança, ela foi direta ao defender a decisão como estratégica.
“A gente vem de um amadurecimento político e o MDB nos ofereceu uma estrutura melhor para fazer essa caminhada em 2026, com chance real de alcançar o coeficiente eleitoral. O que vamos lutar agora é por voto”.
Do mesmo modo, lembra que em 2022, foi candidata à deputada federal e teve quase 26 mil votos. Em 2024, foi candidata à vereadora de Manaus com quase nove mil votos. Mesmo assim ela ficou do lado de fora, sem mandato.
Segundo ela, a escolha não representa abandono de princípios, mas sim uma leitura pragmática do cenário eleitoral. Witoto também ressaltou que o MDB deve compor a base do presidente Luiz Inácio
Lula da Silva e mencionou o apoio do senador Eduardo Braga como parte da articulação política.
Reparação histórica
Já Narubia Werreria, do povo Iny Karajá, chega ao cenário eleitoral pelo Tocantins com um discurso fortemente marcado pela reparação histórica. Filiada ao Partido dos Trabalhadores (PT), ela encara sua pré-candidatura como um ato político de ruptura.
“Esse país é fundado na violência contra as mulheres indígenas. Sermos eleitas deputadas é reverter essa lógica, é uma reparação histórica, efetiva e simbólica”, declarou.
Camadas de discriminação
Narubia enfatiza que sua trajetória não vem de elites políticas ou econômicas, mas de uma construção baseada na militância e na experiência institucional. Ela foi a primeira secretária de Estado dos povos originários e tradicionais do Tocantins.
A líder indígena tocantinense também chama atenção para as múltiplas camadas de discriminação que enfrenta.
“Nós viemos porque construímos uma trajetória de luta, mesmo sofrendo triplos preconceitos: por ser mulher, por ser indígena, por ser LGBT”.
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Confiante, afirma que tem recebido apoio dentro do partido e acredita na viabilidade eleitoral da candidatura.
Foto: Divulgação
