Previsão de super El Niño alerta para secas mais longas na Amazônia

O fenômeno, que tem 90% de chance ocorre entre maio e julho deste ano na região, registra o aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico

Iram Alfaia, do BNC Amazonas em Brasília

Publicado em: 20/04/2026 às 19:45 | Atualizado em: 20/04/2026 às 19:45

Cientistas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) divulgaram recente estudo no qual apontam prolongamento maior das secas na Amazônia por conta do “super El Niño”.

O fenômeno, que tem 90% de chance ocorre entre maio e julho deste ano na região, registra o aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico.

Neste caso, a pesquisa indica o prolongamento de quatro para até seis meses da estação seca, com aumento de déficit hídrico em mais de 150 milímetros. Os alertas são para 2026 e 2027.

“Há alguns anos, quando começamos a discutir cenários climáticos para a Amazônia, muitas vezes esse futuro era visto como algo distante nas conjunturas mais pessimistas. Porém, estamos observando que os extremos de anomalia mais pessimistas estão acontecendo no presente”, diz a cientista do Inpe Débora Dutra à Agência Fapesp.

Débora é engenheira ambiental e sanitarista, doutoranda em sensoriamento remoto no Inpe. Ela é uma das autoras dos estudos sobre os efeitos do El Niño na Amazônia.

“Quando comparamos os dados de hoje com as projeções, vemos o quão crítica vai ficando essa situação à medida que incluímos cenários pessimistas na análise climática”, acrescenta a pesquisadora.

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A bióloga Liana Anderson, orientadora de Dutra e pesquisadora no Inpe, afirma que é preciso trabalhar para combater os efeitos do aquecimento global no planeta.

Afirma que o momento é crucial, com metas nacionais e internacionais a cumprir até 2030.

“Se colocarmos os esforços nessa direção, temos condição de atingi-las. É preciso pensar na conexão entre meio ambiente, desenvolvimento e economia como uma tríade indissociável, seja pelo lado da exploração ou pelo preço a ser pago pela reconstrução após os impactos”, defende.

Estudo

A pesquisa abrange o Acre e parte do Amazonas e Rondônia, no sudoeste da região.

Segundo os pesquisadores, a área possui 90% de sua cobertura florestal e está sob forte pressão de desmatamento.

Em suma, o estudo revela que, em cenários de altas emissões de gases de efeito estufa, há uma intensificação dos déficits hídricos durante a estação seca na Amazônia, sobretudo na porção sudoeste da floresta.

“As projeções indicam estações secas mais longas e intensas, com aumento do estresse hídrico entre junho e setembro e déficits que podem ultrapassar -21 mm/mês até o fim do século no cenário mais pessimista”, diz o levantamento.

Foto: Cadu Gomes/VPR