Sem trava ambiental, Guiana dá terras de graça a produtores brasileiros
País vizinho usa incentivos e concessões para atrair produtores e ampliar a produção agrícola
Da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 22/04/2026 às 15:03 | Atualizado em: 22/04/2026 às 15:03
O governo da Guiana está oferecendo terras gratuitamente a produtores brasileiros para impulsionar o setor agrícola e reduzir a dependência de importações de alimentos. Impulsionado pela recente riqueza do petróleo, o país passou a conceder áreas de savana por até 99 anos, em regiões como Linden e Lethem, próximas à fronteira com o Brasil.
A iniciativa prevê o cultivo de cerca de 300 mil hectares para atrair investimentos estrangeiros e ampliar a produção agrícola. A meta do governo é reduzir em 25% as importações de alimentos do Caribe até 2030.
O ministro da Agricultura da Guiana, Zulfikar Mustapha, destacou que o país busca aproveitar a experiência técnica do agronegócio brasileiro.
“Vocês, brasileiros, têm produzido commodities como milho e soja em larga escala e por muitos anos. Vocês têm a experiência”, afirmou.
Para atrair investidores, o governo oferece isenção de impostos sobre maquinários agrícolas e produção rural, além de estruturar um banco de investimentos para financiar a agropecuária com juros que podem chegar a 0,5% ao ano.
Critérios para investidores
O modelo prioriza produtores com capacidade de investir imediatamente em máquinas, sementes e insumos. O governo exige projetos produtivos e retoma áreas de estrangeiros que não iniciam o cultivo.
O governo também investe em logística, com a construção de uma rodovia de cerca de 680 quilômetros ligando a fronteira brasileira ao porto de Georgetown. O Rio Berbice é considerado estratégico para o transporte de insumos agrícolas.
Apesar dos incentivos, o projeto ainda enfrenta obstáculos, como a falta de mapas georreferenciados e a ausência de grandes indústrias de processamento de grãos no país.
Para o ex-ministro da Agricultura Antonio Cabrera, as dificuldades são comuns em novas fronteiras agrícolas. “É nessas dificuldades que aparecem realmente as grandes oportunidades”, afirmou.
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Foto: divulgação
