MP mira grupo de agiotas com policiais, advogados e 24 investigados

Segunda fase da operação Usura cumpre prisões e buscas contra organização investigada por agiotagem, extorsão e intimidação. Juros eram de até 70% ao mês

Da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 27/07/2026 às 17:25 | Atualizado em: 27/07/2026 às 17:25

O Ministério Público do Amazonas (MP-AM) deflagrou nesta segunda-feira (27 de julho) nova fase da operação Usura para desarticular uma organização criminosa investigada por agiotagem, extorsão e organização criminosa em Manaus.

Segundo o Gaeco, a estrutura investigada reúne 24 pessoas físicas e jurídicas, entre elas um policial militar e três advogados, e tinha como principais alvos servidores do poder Judiciário, submetidos a empréstimos com juros que chegavam a 70% ao mês.

A ofensiva desta segunda-feira amplia a operação iniciada na última quarta-feira (22), quando um policial militar investigado por integrar o grupo foi preso.

Agora, a Justiça autorizou o cumprimento de dois mandados de prisão e 16 mandados de busca e apreensão em diversos bairros da capital. Um dos investigados permanece foragido.

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Policiais e advogados entre os investigados

Um dos aspectos que mais chamam atenção na investigação é o perfil dos suspeitos.

Segundo o MP-AM, entre os 24 investigados estão:

– um policial militar;

– três advogados;

– pessoas físicas e jurídicas ligadas ao esquema.

Os escritórios dos advogados também foram alvo de busca e apreensão por estarem, segundo o Ministério Público, diretamente vinculados aos investigados.

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Servidores do Judiciário, as principais vítimas

A investigação começou há cerca de quatro meses após a denúncia de uma servidora do poder Judiciário.

De acordo com o Gaeco, as apurações identificaram que a maior parte das vítimas já localizadas é formada por servidores do Judiciário, que recorriam aos empréstimos e depois passavam a sofrer cobranças marcadas por intimidação psicológica.

O MP afirma que ainda não é possível estimar o prejuízo financeiro nem o período total de atuação da organização.

Empréstimos de até R$ 200 mil, juros de até 70%

Conforme as investigações, a organização concedia empréstimos de até R$ 200 mil por vítima.

Em troca, impunha juros considerados abusivos, variando entre 30% e 70% ao mês, patamar muito acima das taxas praticadas pelo sistema financeiro.

Segundo o Ministério Público, a cobrança das dívidas era acompanhada de pressão e intimidação contra os devedores.

Dinheiro, joias e bloqueio de contas

Durante o cumprimento dos mandados, as equipes apreenderam:

– cerca de R$ 160 mil em dinheiro;

– dois veículos;

– joias;

– documentos;

– aparelhos celulares.

A Justiça também determinou o bloqueio das contas bancárias dos investigados.

Além disso, duas pessoas foram presas em flagrante durante a operação, uma delas por desacato.

Principais números da operação Usura

24 pessoas físicas e jurídicas investigadas;

1 policial militar entre os investigados;

3 advogados investigados;

2 mandados de prisão expedidos nesta fase;

16 mandados de busca e apreensão;

empréstimos de até R$ 200 mil;

juros entre 30% e 70% ao mês;

cerca de R$ 160 mil apreendidos em espécie;

maioria das vítimas identificadas é formada por servidores do poder Judiciário.

Investigação continua

O coordenador do Gaeco, promotor Leonardo Tupinambá, informou que as investigações, conduzidas pelo promotor André Epifânio com apoio dos demais integrantes do grupo, prosseguem para identificar toda a extensão da atuação da organização criminosa, localizar outras vítimas e apurar a eventual participação de novos envolvidos. Os autos tramitam sob sigilo.

Foto: divulgação